PARINTINS, AM — A poucos dias do início do 59º Festival Folclórico de Parintins, que toma conta do Bumbódromo em 26, 27 e 28 de junho, a Ilha da Magia já respira a rivalidade centenária entre azul e vermelho. Para aquecer os tambores, relembramos os episódios mais marcantes da histórica edição de 2025, um ano definido pela consagração do Boi Garantido nas urnas, performances tecnologicamente ousadas de itens femininos e uma acalorada crise política nos bastidores durante a leitura das notas dos jurados.
O Triunfo Encarnado: “Boi do Povo, Boi do Povão”
O Boi Garantido quebrou o jejum e faturou seu 33º título com um projeto focado na essência de suas raízes populares na Baixa do São José. A apresentação foi recheada de momentos de forte apelo emocional e estreias cruciais.
Destaques da Jornada do Boi Garantido (2025)
├── 🎙️ Abertura Clássica ──> Israel Paulain inicia contagem direto da arquibancada com a galera
├── 🐆 Efeito Visual ──────> Isabelle Nogueira (Cunhã-Poranga) transforma-se em onça na arena
├── 📜 Memória Política ───> Homenagem a Eunice Paiva e alusão ao filme "Ainda Estou Aqui"
└── 🏹 Sucessão Familiar ──> Despedida do pajé Denildo Piçanã, passando o posto para o filho Denison
A estabilidade técnica do boi vermelho também se provou na arena: o levantador de toadas David Assayag espantou boatos de substituição com uma performance firme ao lado do amo João Paulo Faria, culminando em uma antológica homenagem ao poeta parintinense Chico da Silva na última noite, ao som da clássica toada “Vermelho”. A noite também marcou o debute elogiado de Jeveny Mendonça defendendo o pavilhão como nova porta-estandarte.
A Resposta Azulada: “É Tempo de Retomada”
O Boi Caprichoso entrou no Bumbódromo focado no manifesto político e na exaltação aos povos originários e defensores da floresta. Logo na abertura, o bumbá azul e branco fez um contundente clamor pela demarcação da terra indígena Tupinambá, trazendo para a arena o imponente Manto Tupinambá do Século 21.
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Estreia no Verso: O novo amo do boi, Caetano Medeiros, fez sua estreia oficial comandando o ritmo da vaqueirada azulada.
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Ilusionismo na Arena: A cunhã-poranga Marciele Albuquerque protagonizou um dos grandes momentos estéticos do festival ao ter sua indumentária articulada para se transformar em um gavião em pleno voo coreográfico.
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Clássico Revisitado: A segunda noite resgatou a icônica toada de 1996, “Réquiem – Prece aos Espíritos”, içando um módulo alegórico repleto de pajés por um guindaste em uma das evoluções mais aplaudidas da temporada.
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Ativismo: Na última noite, o bumbá trouxe Angela Mendes, filha do ambientalista Chico Mendes, carregando a faixa “Amazônia de pé” ao lado de uma gigantesca estrutura do lendário Mapinguari.
Crise e Protesto na Mesa de Apuração
Se a disputa na arena foi de alto nível, os bastidores do pós-festival ferveram. Durante a leitura oficial das notas no Bumbódromo, a diretoria do Caprichoso manifestou profunda insatisfação com os critérios aplicados pelo corpo de jurados.
Em um ato de protesto que repercutiu nacionalmente, o presidente do bumbá azul e branco, Rossy Amoedo, abandonou o recinto antes do final da contagem. Fora da arena, o dirigente disparou críticas pesadas à organização, acusando a apuração de sofrer com “manipulação de resultados”. O desabafo consolidou o clima de revanche que promete ditar o tom técnico e a fiscalização das duas agremiações para o espetáculo que começa nesta sexta-feira.






