AMAZONAS – Raimundo da Silva dos Santos, de 47 anos e conhecido como Tita, caiu no Rio Solimões após ser empurrado pelas costas por um homem em flutuante, em cena gravada por câmeras de segurança que mudou a investigação de acidente para homicídio, com o corpo localizado por mergulhadores graças a uma tatuagem com o nome do filho. O filho Lucas Santos identificou o pai e descreveu-o como pai presente, brincalhão, humilde e respeitoso, apesar de problemas com bebida alcoólica. O fato ocorreu na madrugada de quinta-feira (26), na zona portuária de Manacapuru, município a 80 km de Manaus.
Raimundo trabalhava com carregamento de cargas em flutuantes no porto e viajava entre cidades como Novo Airão e Manaus atrás de serviço como descarregador de caminhão, sempre atendendo chamadas de colegas para oportunidades pontuais no setor portuário do Amazonas. Solteiro e pai de um filho, ele ajudava a mãe nas tarefas diárias e mantinha fama de católico dedicado na comunidade, sem relatos prévios de ameaças ou brigas no ambiente de trabalho conforme contado por Lucas. O vídeo mostra Tita caminhando na área externa do flutuante quando um homem do grupo próximo se levanta e o empurra, fazendo-o desaparecer na água de forte correnteza.
O Corpo de Bombeiros iniciou buscas na sexta-feira (27) com três mergulhadores, mas localizou o corpo só no sábado (28) no Rio Solimões, após análises das imagens que contradizem a versão inicial de queda acidental divulgada pela Polícia Civil. Lucas Santos confirmou a identificação pela tatuagem exclusiva e destacou que o pai nunca faltou em sua criação, garantindo sustento na infância apesar das dificuldades financeiras comuns a trabalhadores informais do porto. A polícia tenta identificar o autor do empurrão, que permaneceu no local sem acionar socorro imediato.
A Polícia Civil de Manacapuru apura as circunstâncias do homicídio na zona portuária, onde Tita atuava regularmente com colegas em operações de carga e descarga que demandam presença constante nas plataformas flutuantes sobre o rio. Familiares acompanham o caso e reforçam o perfil pacífico da vítima, conhecida por respeito a todos no convívio diário entre Novo Airão e Manacapuru. As investigações focam o grupo de homens filmado para esclarecer o motivo do ataque no interior do Amazonas.





