VÍDEO: bombeiros usam botes para resgatar famílias no Tarumã‑Açu

O cenário mais crítico foi registrado no bairro União da Vitória, na região do Tarumã‑Açu, zona oeste, onde o nível da água subiu de forma drástica e isolou moradores dentro de suas próprias casas.

 

Manaus – A forte chuva que atingiu Manaus nesta quarta‑feira (25) transformou várias ruas em verdadeiros rios e acionou o Corpo de Bombeiros para uma série de operações de emergência na capital amazonense. O cenário mais crítico foi registrado no bairro União da Vitória, na região do Tarumã‑Açu, zona oeste, onde o nível da água subiu de forma drástica e isolou moradores dentro de suas próprias casas.

Com o tráfego de veículos totalmente inviável devido à profundidade do alagamento, as equipes de resgate precisaram recorrer a botes infláveis para navegar entre as residências. A prioridade foi a retirada segura de famílias que ficaram presas em pontos onde a correnteza e a altura da água ofereciam risco imediato à vida. Bombeiros trabalharam com cordas, coletes salva‑vidas e equipamentos de segurança para conduzir as pessoas às margens seguras ou em direção a pontos de apoio definidos pela Defesa Civil.

Vídeos gravados por moradores mostram o momento em que agentes em botes avançam entre casas inundadas, buscando idosos, crianças e adultos que não conseguiram deixar os imóveis por conta própria. As imagens também captam moradoras com a água pela cintura, visivelmente indignadas, criticando a infraestrutura da capital. O foco das críticas foi o prefeito David Almeida (Avante), que vem sendo alvo de cobranças por parte de comunidades em situação de alagamento recorrente.

Em um dos registros, uma moradora desabafa sobre o que descreve como descaso público e lança um alerta em tom de ameaça política. “Está chegando o dia do voto. Sabe o que vai acontecer aqui? A gente vai te afogar no alagado”, disse a mulher, cercada pela água suja e pelo cenário de ruas inundadas. O vídeo circula em grupos de WhatsApp e redes sociais, ampliando o debate sobre a capacidade de drenagem urbana e a reação das autoridades diante dos temporais que voltam a se repetir em áreas periféricas.

O temporal desta quarta‑feira (25) não afetou apenas o Tarumã‑Açu. Vários pontos de Manaus registraram transbordamentos de bueiros e igarapés, mantendo equipes da Defesa Civil em estado de alerta máximo. Até o momento não há registro de vítimas fatais relacionadas diretamente às enchentes, mas os danos materiais em residências, comércios e infraestrutura ainda estão sendo contabilizados. Moradores relatam perda de móveis, eletrodomésticos e documentos, além de risco de contaminação por água de esgoto e detritos.

Em poucas horas, o volume de chuva acumulado chegou a cerca de 160 milímetros em áreas da zona norte, o que caracteriza um evento de chuva extrema e concentrada. Esse volume coloca uma carga elevada sobre o sistema de drenagem urbana e compromete a mobilidade em vários bairros da cidade. A Defesa Civil informou que, até às 21h30, havia 114 ocorrências registradas, com predominância de alagamentos e deslizamentos de terra.

Os bairros mais afetados incluem Santa Etelvigunga, Cidade de Deus, Nova Cidade, Jorge Teixeira, Tancredo Neves, Zumbi dos Palmares e Colônia Antônio Aleixo, além de pontos nas zonas oeste e sul. Entre as ocorrências mapeadas estão 59 casos de alagamentos de ruas e residências, quatro de bueiros entupidos, cinco de erosão, 13 de desabamentos de muros e casas, 24 de deslizamentos de barrancos, uma ocorrência de rachadura estrutural, três situações com risco de desabamento de casas, uma com risco de deslizamento e quatro solicitações de vistoria técnica.

Dados da pluviometria do Sistema de Meteorologia do Amazonas mostram que o bairro Santa Etelvunga registrou 161,8 milímetros de chuva, seguido pelo bairro da União, com 70,2 milímetros; Cidade de Deus, com 68,9 milímetros; Redenção, com 59,2 milímetros; igarapé do 40, com 33,6 milímetros; Puraquequara, com 29,1 milímetros; Colônia Antônio Aleixo, com 18,3 milímetros; Jorge Teixeira, com 14,2 milímetros; Mauazinho, com 4,8 milímetros; Flores, com 1,2 milímetro; Santa Luzia, com 0,8 milímetro; e Compensa, com 0,2 milímetro.

A Defesa Civil reitera que o solo de Manaus está extremamente encharcado e que o risco de novos alagamentos e deslizamentos permanece elevado nas próximas horas. A orientação é para que moradores de áreas vulneráveis evitem permanecer próximos a encostas, barrancos e igarapés, além de manter canais de escoamento livres de entulho e lixo. A pasta também orienta que a população mantenha contato com os canais oficiais de emergência em caso de necessidade de resgate ou de vistoria em imóveis com sinais de risco.

No Tarumã‑Açu, moradores relatam que, mesmo após a passagem dos botes, muitas famílias ainda precisam dividir moradia com vizinhos até que a água recue e seja possível avaliar danos estruturais. Ainda não há estimativa oficial do número total de pessoas atingidas, mas as equipes de resgate continuam monitorando a região e prestando apoio logístico e humano às comunidades afetadas.

 

Tags:
Compartilhar Post: