Uma simples sacola de peixes retirada de uma distribuição gratuita motivou uma confusão generalizada que terminou em pancadaria na Avenida 7 de Maio, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus. A disputa envolveu principalmente mulheres e travestis, que, em meio à fila de espera, trocaram tapas, puxões de cabelo, dedadas nos olhos e ofensas verbais enquanto disputavam uma única sacola com três “ruelos” de tambaqui.
A distribuição gratuita de peixes ocorreu no período da manhã, pouco antes da data religiosa da Sexta‑feira da Paixão de Cristo, quando muitos moradores compareceram ao local com o objetivo de levar pescado para a ceia. Alguns dos participantes chegaram muito cedo e se posicionaram de acordo com a ordem de chegada, enquanto outro grupo, considerado “retardatário”, tentou furar a fila, desrespeitando a regra de que a prioridade se daria por quem estivesse à frente do grupo formado ao longo da avenida.
A tentativa de alguns moradores “furarem a fila” foi o suficiente para que a tensão aumentasse rapidamente, gerando troca de ofensas morais entre as pessoas ali reunidas. De forma gradual, o desentendimento verbal se transformou em agressões físicas, com mulheres e travestis empurrando‑se, arranhando‑se e trocando golpes à mão aberta em plena via pública, conforme registrado em vídeo gravado por uma das testemunhas do episódio.
No meio da confusão, imagens divulgadas mostram que até uma criança de colo, carregada por uma das envolvidas, chegou a ser projetada para perto da briga, correndo risco de ser atingida pelos golpes. Um homem, identificado pelas narrativas como o pai da criança, adentrou o grupo em movimento, pegou o menor e o afastou dali, evitando que fosse ferido ou envolvido diretamente na pancadaria coletiva.
As imagens também evidenciam a presença de uma pessoa que, conforme comentado por moradores, estaria em regime semiaberto e trajava tornozeleira eletrônica, mas mesmo assim participou da troca de tapas pelo pescado, demonstrando que a disputa ultrapassou considerações legais e de restrições de liberdade. O grupo que estava na frente da fila chegou a reclamar da “usurpação do direito dos primeiros a chegar”, argumento repetido por várias vozes ao fundo das gravações.
Não há informação clara sobre quem terminou com a sacola de peixes ou se a quantidade de peixe correspondente aos três ruelos foi de fato entregue a algum dos envolvidos. O que permanece evidente é que, no meio da disputa, pelo menos uma pessoa saiu pior: apanhou numericamente, perdeu a chance de levar o tambaqui e voltou para casa sem o pescado, que, nesse evento, seria fornecido sem custo algum aos moradores da região, independentemente de sua renda.





