SAÚDE – O aumento da temperatura no verão eleva a transpiração e reduz o volume de líquidos no organismo, o que favorece a formação de pedras nos rins e acende um alerta especial para pessoas idosas. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia apontam que a incidência de cálculos renais pode crescer até 30% nessa estação, em comparação com outras épocas do ano. O tema ganha relevância porque a desidratação e alguns hábitos alimentares comuns nesse período agravam o risco, sobretudo em pacientes com mais de 60 anos.
O urologista Luís César Zaccaro explica que os rins regulam funções vitais ligadas à eliminação de resíduos, equilíbrio de eletrólitos e funcionamento geral do organismo. No verão, o corpo perde mais líquidos pelo suor, o que concentra a urina e facilita a formação de cristais que podem evoluir para cálculos renais. Por isso, o especialista reforça que a prevenção depende de cuidados constantes, com rotina de hidratação adequada e atenção ao estilo de vida.
A hidratação é apontada como eixo central da prevenção contra pedras nos rins. A recomendação geral indica ingestão diária entre 2 e 3 litros de água, volume que pode variar conforme o clima, atividade física e condições individuais. Um sinal prático sugerido pelos especialistas é observar a cor da urina: quanto mais clara e próxima do transparente, melhor o nível de hidratação e menor a chance de formação de cristais.
Em pessoas que já têm diagnóstico de cálculo renal, o cuidado com líquidos ganha nuances específicas. Em situações de crise de cólica renal, o aumento brusco da ingestão de água pode elevar a pressão dentro do sistema urinário e intensificar a dor. Nesses casos, médicos orientam manter o consumo habitual de líquidos, evitar excessos e buscar atendimento para avaliação, controle da dor e definição da conduta adequada.
A alimentação também exerce papel importante na prevenção. Dietas com grande quantidade de sal, alimentos industrializados e refeições prontas aumentam a concentração de sódio e outros componentes que favorecem a formação de pedras. Já os planos alimentares com excesso de proteína animal, como regimes hiperproteicos com alto consumo de carnes, ovos e suplementos, podem sobrecarregar os rins, alterar a composição da urina e elevar o risco de cálculos em pessoas predispostas.
Especialistas recomendam reduzir o consumo de sal, moderar a proteína de origem animal e priorizar frutas, verduras e legumes. Frutas cítricas, como limão e laranja, contribuem para dificultar a formação de pedras porque aumentam substâncias na urina que inibem a cristalização. A orientação é associar esses cuidados à manutenção do cálcio proveniente da alimentação, em vez de suspender totalmente o nutriente sem avaliação profissional.
Embora os cálculos renais sejam mais frequentes em adultos jovens, principalmente homens entre 20 e 35 anos, o problema também ocorre em pessoas idosas, com características clínicas diferentes. Em vez da cólica renal intensa, típica em pacientes mais novos, pessoas com 60 anos ou mais podem manifestar apenas dor lombar vaga, desconforto abdominal difuso ou até confusão mental. Esses quadros menos específicos aumentam o risco de diagnóstico tardio e complicações.
Segundo Zaccaro, o atraso na identificação do cálculo renal em idosos pode favorecer a ocorrência de infecções, obstruções silenciosas do trato urinário, infecções urinárias recorrentes e, em casos mais graves, insuficiência renal. Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão a menor sensação de sede nessa faixa etária, doenças associadas que interferem no metabolismo e o uso crônico de alguns medicamentos que facilitam a formação de cálculos. As alterações naturais do envelhecimento também influenciam o funcionamento dos rins e o equilíbrio da composição da urina.
Após a identificação de cálculos renais, o acompanhamento deve incluir revisão de medicamentos, sobretudo diuréticos e suplementos de cálcio e vitamina D, quando presentes. A hidratação continua importante, porém planejada com cautela em idosos, especialmente em quem tem problemas cardíacos ou alterações prévias da função renal, com preferência por pequenas quantidades de líquidos em intervalos regulares. Os especialistas também indicam orientação alimentar individualizada e consultas periódicas com urologista para monitorar a função renal e a evolução dos cálculos.
Para o seguimento, exames como ultrassonografia do aparelho urinário e, em alguns casos, tomografia computadorizada do abdome ajudam a avaliar tamanho, localização e número de pedras. A partir desses dados, a equipe médica define se o tratamento será apenas clínico, com hidratação e medicamentos, ou se haverá necessidade de procedimentos específicos para remoção dos cálculos. Em todos os cenários, a meta é preservar a função dos rins, evitar complicações infecciosas e reduzir a chance de novos episódios, que podem se repetir ao longo dos anos.





