Cantor da banda “Bruno e Trio” é condenado por abusar das próprias filhas

O acusado foi responsabilizado por crimes de abusos sexuais contra menores de 14 anos, com reconhecimento de continuidade delitiva, o que agravou a pena aplicada.
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Pará – O cantor paraense Bruno Mafra, conhecido pela atuação na banda “Bruno e Trio”, foi condenado pela Justiça do Pará por abuso sexual contra as próprias filhas. A decisão foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará, que manteve pena de pouco mais de 32 anos de prisão em regime inicial fechado, sem favorecimento para progressão rápida de regime.

De acordo com o processo, os crimes ocorreram entre 2007 e 2011, em Belém, quando as vítimas tinham entre 5 e 7 anos, idade inferior a 14 anos. Segundo o Ministério Público, os abusos aconteceram de forma repetida, em diferentes locais, como a residência da família e veículos, com uso de autoridade paterna e manipulação psicológica para calar as meninas. O acusado foi responsabilizado por crimes de abusos sexuais contra menores de 14 anos, com reconhecimento de continuidade delitiva, o que agravou a pena aplicada.

O caso veio à tona em 2019, quando as vítimas, já adultas, decidiram denunciar os abusos à polícia. Durante o julgamento, os desembargadores consideraram que havia provas suficientes de autoria e materialidade, com destaque para a coerência, riqueza de detalhes e convergência dos depoimentos das filhas, mesmo após anos dos fatos. A relatora do caso, desembargadora Rosi Maria Gomes, rejeitou os argumentos da defesa e afirmou que não houve prejuízo ao direito de defesa, reforçando que, em crimes desse tipo, a palavra da vítima tem peso especial quando corroborada por outros elementos.

A defesa de Bruno Mafra informou, por meio de nota, que pretende recorrer da decisão em instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF), alegando possíveis violações ao devido processo legal e questionando a validade de algumas provas apresentadas na investigação. Já a assistência de acusação destacou que a confirmação da condenação representou um avanço para vítimas de violência sexual, sobretudo em casos ocorridos no ambiente familiar, onde a demora na denúncia tradicionalmente foi usada para tentar afastar a responsabilização.

O cumprimento da pena depende do trânsito em julgado do processo, etapa em que não cabem mais recursos que impeçam a execução da sentença. O caso gerou forte repercussão no Pará, com repercussões nas redes sociais, inclusive de amigos e conhecidos das vítimas, que relataram indignação ao ver o artista, figura conhecida do cenário do tecnobrega, atuar em eventos e circos enquanto o processo corria na Justiça.

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