Casos de diarreia passam de 10,6 mil e acendem alerta em Santa Catarina

Conforme dados do Ministério da Saúde analisados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), o estado somou 10.649 registros de doença diarreica aguda nas duas primeiras semanas de 2026.

SAÚDE – Casos de doença diarreica aguda pressionam a rede de saúde de Santa Catarina, com avanço das notificações e maior incidência nas cidades litorâneas em plena temporada de verão. O fluxo de turistas aumenta e a circulação de pessoas se intensifica no estado. Conforme dados do Ministério da Saúde analisados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), o estado somou 10.649 registros de doença diarreica aguda nas duas primeiras semanas de 2026.

O cenário eleva o nível de atenção de gestores municipais e estaduais. Há preocupação com risco de desidratação e sobrecarga em unidades básicas e serviços de urgência. A doença atinge todo o território catarinense, mas aparece com concentração maior na faixa litorânea. Essa área reúne balneários, consumo frequente de alimentos fora de casa e pontos de balneabilidade classificados como impróprios.

Itajaí lidera entre as cidades com maior número absoluto de casos, com 1.335 registros em 2026. Chapecó, no Oeste, surge em seguida com 599 ocorrências. O problema não se limita ao litoral e alcança regiões distantes da costa. Bombinhas, no Litoral Norte, apresenta crescimento expressivo em curto período.

Entre os dias 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, Bombinhas registrou 409 casos de doença diarreica aguda. O número representa alta de 353% em relação à mesma semana da temporada anterior, quando o município havia registrado 87 casos. O aumento coincide com denúncias de descarte irregular de esgoto e de lançamento de resíduos em áreas costeiras. O quadro reforça a preocupação com a relação entre saneamento básico, balneabilidade e saúde pública.

Relatório de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, divulgado em 9 de janeiro de 2026, apontou 8 dos 17 pontos avaliados em Bombinhas como impróprios para banho. Entre esses locais estão trechos das praias de Bombas, Zimbros, Morrinhos e Canto Grande (mar de fora). Nessas áreas, a análise identificou presença de coliformes fecais acima do limite recomendado.

Técnicos explicam que níveis elevados de coliformes fecais indicam risco de contaminação por micro-organismos que causam infecções gastrointestinais. O quadro se manifesta em forma de diarreia aguda. As orientações incluem evitar banho de mar nas 24 a 48 horas posteriores a chuvas intensas. A recomendação vale principalmente para pontos próximos a saídas de galerias pluviais, bocas de lobo e lançamentos de esgoto.

As Doenças Diarreicas Agudas englobam infecções que acometem o trato gastrointestinal. A definição considera três ou mais episódios de evacuações em 24 horas, com fezes líquidas ou amolecidas. Em geral, o quadro se resolve em até 14 dias. Em crianças, idosos e pessoas com outras doenças, há risco maior de desidratação.

Profissionais de saúde destacam sinais de alerta. Entre eles estão redução importante de diurese, sonolência intensa, dificuldade para ingerir líquidos e sangue nas fezes. Também entram na lista sintomas como náusea, vômitos, febre e dor abdominal. Nesses casos, a orientação é buscar atendimento em unidade de saúde.

As causas das doenças diarreicas podem ser infecciosas ou não infecciosas. As formas infecciosas envolvem bactérias, vírus e parasitas. A transmissão ocorre por água e alimentos contaminados ou contato com superfícies e mãos sem higienização. As formas não infecciosas se relacionam a certos medicamentos e a doenças crônicas intestinais.

A Secretaria de Estado da Saúde afirma que os dados não representam o total real de pessoas acometidas. Os números funcionam como indicador para monitorar o comportamento dos casos. O objetivo é detectar alterações que exijam resposta rápida, como surtos localizados. No litoral, o período de alta temporada aumenta a demanda nos serviços municipais e estaduais.

Equipes de saúde atuam em consultas e em terapias de hidratação oral ou venosa para quadros de desidratação. A pasta orienta os municípios a reforçar vigilância, coleta de dados e organização de fluxos de atendimento. As recomendações à população incluem consumo de água tratada ou fervida e higienização de caixas d’água. Também entram na lista o preparo e armazenamento adequados de alimentos e a lavagem frequente das mãos.

Para quem pretende entrar no mar, a indicação é consultar relatórios de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente antes do banho. A orientação vale com ênfase para crianças e idosos. Esses grupos apresentam maior vulnerabilidade a complicações de quadros de diarreia associados à exposição a águas contaminadas.

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