Cientistas analisam efeitos do jejum intermitente no organismo

Prática pode ajudar na perda de peso e na proteção contra doenças crônicas, segundo estudos. Nutricionista aponta benefícios ao seguir o ciclo circadiano e alerta sobre riscos de protocolos restritivos.

SAÚDE– Jejum intermitente se tornou alternativa para quem busca melhorias na saúde metabólica, perda de peso e prevenção de doenças crônicas. Pesquisas científicas recentes analisam diferentes protocolos, como o 5:2, o jejum em dias alternados e a alimentação com restrição de tempo, que permite refeições apenas dentro de uma janela definida ao longo do dia. O princípio adotado em todos os métodos é criar períodos sem ingestão de alimentos, estimulando o chamado metabolic switch. Nesse mecanismo, o organismo deixa de utilizar a glicose como fonte primária de energia e passa a queimar gordura, gerando corpos cetônicos que beneficiam diversos sistemas corporais.

Por meio de estudos, médicos e pesquisadores constatam que o jejum intermitente está relacionado à redução da pressão arterial, melhora do perfil de colesterol, aumento da sensibilidade à insulina e maior capacidade de controle do peso. Os resultados apontam ainda indícios de proteção ao cérebro, com melhora da plasticidade neuronal e impactos positivos em doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

Em pessoas que têm diabetes, a prática pode ser adotada, mas requer acompanhamento contínuo de nutricionistas e médicos. Nessas situações, o ajuste de medicamentos e a monitoração da glicemia são indispensáveis para evitar complicações.
A nutricionista e pesquisadora Prof.ª Dra. Tatiana Palotta Minari reforça os benefícios metabólicos quando o jejum respeita o ciclo circadiano, concentrando a janela alimentar durante o dia. Segundo a especialista, protocolos adotados dessa forma contribuem para redução da glicemia de jejum, melhora da sensibilidade à insulina, regulação de marcadores inflamatórios e ativação de processos de renovação celular, incluindo autofagia e mitofagia, ligados à longevidade.

No entanto, Tatiana ressalta que protocolos muito restritivos podem afetar o eixo hormonal, complicar a gestação e a lactação, e não são recomendados para crianças, praticantes de atividade física intensa, portadores de diabetes tipo 1 ou pessoas com transtornos alimentares. Adaptações devem ser feitas conforme o perfil e rotina de cada pessoa. Para quem pratica atividades físicas regularmente, estratégias como o protocolo 16:8 e o Time-Restricted Eating podem favorecer o desempenho em treinos feitos dentro da janela alimentar, enquanto treinar em jejum só é indicado em determinadas condições clínicas.

A pesquisadora destaca ainda que o jejum intermitente pode ser tão eficiente quanto uma dieta equilibrada ao longo do dia, contanto que exista déficit calórico. A escolha pela melhor estratégia depende da compatibilidade com a rotina, das preferências pessoais e dos objetivos individuais.

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