Denúncias de adultização levam à remoção dos perfis de Kamylinha e Hytalo Santos

Menina aparecia em conteúdos provocativos desde os 12 anos; casos envolvem dança, estética e temas adultos.

BRASIL – O perfil de Kamylinha Santos foi bloqueado por decisão do Ministério da Fazenda. Conforme o órgão, a medida ocorreu após denúncias sobre a participação da influenciadora em conteúdos publicitários de casas de apostas, apesar de ser menor de idade. A ação atendeu também a demandas do Ministério Público da Paraíba. Kamylinha era figura central nos vídeos do influenciador Hytalo Santos e acumulava mais de 11 milhões de seguidores em seu perfil principal no Instagram. O bloqueio passou a valer antes de 12 de agosto de 2025, quando autoridades confirmaram intervenções em contas associadas a Hytalo e sua “turma”.

Kamylinha já aparecia em vídeos desde os 12 anos. Ela foi adotada formalmente por Hytalo Santos, que mantinha produção de conteúdos voltados para adolescentes e crianças, muitos deles alvo de críticas por imagens relacionadas à dança, estética e sexualidade precoce. Conforme relato de conselheiros tutelares, a adolescente tinha respaldo jurídico e apoio da mãe, Francisca Maria, para seguir nos trabalhos digitais. O pai e a família paterna já expressaram contrariedade em relação à exposição da menor nas redes.

Adultização

A influenciadora colocava implantes de silicone nos seios, aos 16 anos, e relatou ao público, em maio de 2025, uma gravidez do irmão de Hytalo, Hyago Santos. Ela afirmou ter sofrido aborto espontâneo dias depois. A emancipação civil de Kamylinha se efetivou ainda com 16 anos, permitindo que ela realizasse procedimentos como contratos e decisões particulares. Apesar disso, as leis brasileiras mantêm proibição para menores emancipados em relação a consumo de álcool e direção de veículos.

Felca apresentou denúncia sobre “adultização” em perfis de influenciadores, incluindo Kamylinha e Hytalo, em vídeo postado em 7 de agosto. O material viralizou com mais de 31 milhões de visualizações e motivou investigações. O Ministério Público da Paraíba instaurou inquéritos sobre crimes digitais, exploração de menores e descumprimento de dever de proteção infantil. Perfis de Hytalo e Kamylinha saíram do ar em menos de 24 horas. A Justiça, além de bloquear o conteúdo, suspendeu monetização e impôs restrições ao contato entre Hytalo Santos e adolescentes. O caso contribuiu para discussões sobre aprovação de leis que restrinjam exposição digital de menores.

Sobre Kamylinha

Kamylinha Santos nasceu em Cajazeiras, no sertão da Paraíba, cidade natal de Hytalo. Até seu perfil ser desativado, reunia seguidores expressivos e participava de vídeos de namoros, coreografias e situações de interação entre jovens. Dados dos processos apontam que seus conteúdos eram produzidos por grupo de adolescentes, com rotinas de festas, viagens e temas relacionados a relacionamentos. O ambiente gerava debates sobre possível influência negativa à saúde física e psicológica dos envolvidos. O Ministério Público aguarda perícia dos conteúdos para definir possíveis responsabilidades criminais dos autores e dos responsáveis legais pelas crianças e adolescentes.

A mãe de Kamylinha publicou mensagens nas redes sociais defendendo a filha e Hytalo Santos, dizendo que acompanha e apoia as decisões da adolescente, além de negar irregularidades quanto aos conteúdos veiculados. Os perfis associados à influenciadora criaram novas páginas, porém também enfrentam restrições e notificações sucessivas por conteúdos considerados irregulares.

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