BRASIL – Uma operação conjunta realizada pela Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público Federal desarticulou uma fábrica ilegal de cigarros no bairro de Vigário Geral, zona norte do Rio de Janeiro, onde 22 trabalhadores paraguaios foram encontrados em condições análogas à escravidão. O grupo criminoso que gerenciava o local recrutava cidadãos paraguaios com promessas de trabalho para, posteriormente, submetê-los a jornadas extenuantes em ambiente insalubre, sem condições mínimas de higiene, alimentação ou descanso.
A fábrica funcionava sem qualquer autorização de órgãos reguladores, produzindo cigarros destinados ao mercado clandestino em todo o estado. De acordo com as investigações, os trabalhadores eram atraídos por promessas de salários superiores a R$ 3 mil e orientados a atravessar a fronteira de forma clandestina. Já em solo brasileiro, seus documentos e telefones eram recolhidos, e muitos relataram terem sido encapuzados durante o transporte para evitar o reconhecimento do trajeto e de possíveis cúmplices.
Os paraguaios eram obrigados a trabalhar doze horas por dia, inclusive aos finais de semana. A estrutura oferecida aos trabalhadores era precária: alojamentos sem janelas, ambientes quentes e barulhentos, alimentação inadequada, banheiro e cozinha sem instalações adequadas.
A fábrica clandestina era apontada como propriedade do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, que está foragido e já teve prisão decretada por outros crimes. Durante a operação, cinco brasileiros foram presos por envolvimento direto na gestão do local, atuando como supervisores e gerentes. Os paraguaios foram libertados e encaminhados para procedimentos de regularização, devendo retornar ao seu país de origem após apoio de órgãos competentes.
Relatórios apontam que o tráfico de mão de obra paraguaia para fábricas ilegais de cigarros é um fenômeno recorrente, replicado em diversas operações desde 2022. A rota é favorecida pela experiência dessa população na indústria do tabaco e pela vulnerabilidade social. De acordo com a Polícia Federal, mais de 70 paraguaios já foram resgatados desse tipo de exploração no Rio de Janeiro apenas nos últimos três anos. A quadrilha, além de recorrer ao trabalho análogo à escravidão, é investigada por crimes como tráfico internacional de pessoas, falsificação de produtos, sonegação fiscal, fraude no comércio, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A operação também visou o bloqueio de bens e valores em nome dos suspeitos, envolvendo imóveis, veículos de luxo e ativos financeiros avaliados em centenas de milhões de reais. Aparelhos, equipamentos e insumos apreendidos foram encaminhados para perícia. As investigações continuam, com as autoridades buscando identificar demais integrantes do esquema e apurar a participação de agentes públicos na estrutura criminosa.
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