BRASIL – A Faculdade Santa Marcelina anunciou nesta segunda-feira (28) a expulsão de 12 alunos do curso de medicina após a divulgação de fotos em que apareciam ao lado de um “bandeirão” com a frase “entra porra, escorre sangue”, que faz referência explícita ao crime de estupro. Outros 11 estudantes receberam suspensões e medidas disciplinares. A Associação Atlética Acadêmica (AAA) do curso foi interditada por tempo indeterminado.
O caso ocorreu durante a Intercalo, um torneio esportivo entre calouros de medicina, no dia 15 de março. As imagens, que viralizaram, mostravam alunos posando com a faixa, que reproduz um trecho de um antigo hino da atlética, banido em 2017 por conteúdo misógino e violento.
Investigações e punições
A faculdade abriu sindicância no dia 21 de março e, após análise, decidiu pela expulsão dos envolvidos diretos. Em nota, a instituição afirmou que “reafirma sua postura proativa e colaborativa em relação ao assunto, perante as autoridades competentes”.
A Polícia Civil também instaurou um inquérito para apurar possível apologia ao crime de estupro, já que a frase pode ser enquadrada no artigo 287 do Código Penal. O Ministério Público foi comunicado.
Protesto de coletivo feminista
O Coletivo Francisca, grupo de alunas e ex-alunas de medicina da Santa Marcelina, denunciou o caso à direção da faculdade. Em documento, elas destacaram que o hino original – do qual a frase da faixa foi extraída – contém diversas referências a violência sexual, incluindo trechos como:
“Se no cu minha piroca, na buceta ou nas teta / Entra porra e sai sangue, tu gritando igual capeta”
e
“Vai, medicina, bota pra fuder / Somos todos loucos e seu cu vamos comer”.
Uma ex-aluna, que preferiu não se identificar, relatou ao g1 que a “cultura do estupro” ainda é forte em faculdades de medicina: “Hinos degradantes, trotes humilhantes e ritos de passagem misóginos são comuns. Mesmo após o banimento desse hino em 2017, ele voltou agora, o que mostra que a mentalidade não mudou.”
Outros casos recentes
Em 2023, a Universidade Santo Amaro (Unisa) também expulsou alunos de medicina após um escândalo envolvendo um hino com referências a violência sexual. Na ocasião, estudantes simularam atos obscenos durante um campeonato.
Posicionamento da faculdade
A Santa Marcelina afirmou que os responsáveis foram punidos com base no regimento interno e na Lei Estadual 18.013/2024, que proíbe trotes humilhantes ou que incitem violência. A instituição também destacou que os alunos assinam um termo de conduta ao ingressar no curso.
O Coletivo Francisca cobrou uma resposta mais firme da atlética, incluindo a remoção do presidente da entidade estudantil, e exigiu que a faculdade adote medidas para coibir definitivamente esse tipo de comportamento.
Leia a nota da faculdade na íntegra:
“A Faculdade Santa Marcelina comunica que as sindicâncias instauradas no dia 21 de março foram apreciadas em primeira instância, sendo que 12 estudantes foram desligados e outros 11 receberam sanções. A Associação Atlética Acadêmica permanecerá interditada por tempo indeterminado.”
*Com informações do G1 SP
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