SÃO PAULO — Uma robusta investigação conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSC) revelou que o sistema de transporte público da capital paulista funciona como peça-chave em um sofisticado “hub criminal” de lavagem de dinheiro. O alvo principal da nova fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (25 de junho de 2026), é a Transunião Transportes S/A, suspeita de ter sua estrutura capturada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para escoar ativos ilícitos.
A Justiça paulista decretou a prisão temporária por cinco dias do vereador Senival Moura (PT), apontado pelo MP como proprietário informal de 13 ônibus integrados à frota da companhia, além de ordenar a prisão de quatro diretores da Transunião, incluindo o presidente da empresa, Lourival de França Monário.
A Teia de Conexões e Cruzamento de Operações
Diferente de uma organização verticalizada, os investigadores descobriram um ecossistema financeiro onde diferentes organizações criminosas compartilham laranjas, contadores e empresas de fachada. A Transunião operava como uma plataforma de escoamento cujos rastros se entrelaçam com grandes investigações dos últimos três anos:
Elo com Deolane Bezerra (Operação Vérnix – Maio/2026): Apurou a lavagem de dinheiro ligada a familiares de Marcola (líder do PCC). A polícia identificou que a Transunião transferiu R$ 50 mil para contas movimentadas por um sobrinho de Marcola, e que um operador ligado à facção repassou um veículo para o presidente da Transunião. A defesa de Deolane Bezerra nega veementemente qualquer ligação com o crime organizado.
Conexão com a Máfia Italiana (Operação Mafiusi – 2024): Investigou o empresário Willian Barile Agati, considerado o “Concierge do PCC”, responsável por movimentar R$ 2 bilhões no tráfico internacional em consórcio com a ‘Ndrangheta (máfia da Calábria). Transações da Transunião conectam diretamente diretores da empresa a parceiros comerciais de Agati.
Fraude nos Combustíveis (Operações Carbono Oculto e Tank – 2025): Revelou o repasse de R$ 2 milhões da Transunião para a Duvale Distribuidora, uma empresa de fachada que teria lavado R$ 148 milhões para a facção criminosa no setor de combustíveis.
O Núcleo do Esquema na Capital
A engenharia financeira contava com uma estrutura de comando informal focada em ocultar os verdadeiros donos dos veículos e diluir os lucros obtidos com o tráfico de drogas. Valendo-se de um mesmo escritório de contabilidade, o grupo pulverizava o patrimônio em nome de terceiros e empresas fantasmas.






