BRASIL – Adolescentes suspeitos de agredir o cão comunitário Orelha também teriam tentado afogar um segundo animal na Praia Brava, em Florianópolis, conforme a Polícia Civil de Santa Catarina. O grupo é alvo de investigação por maus-tratos a animais e por possíveis atos de coação durante o processo. O caso ocorreu na Praia Brava, área nobre da capital catarinense, e ganhou repercussão nacional após a divulgação de vídeos e relatos nas redes sociais. A polícia informou que a morte de Orelha e a tentativa de afogamento do outro cão aconteceram no mesmo dia, e que novas oitivas e perícias seguem em andamento.
Orelha era um cão comunitário com cerca de 10 anos, considerado mascote da região e cuidado por moradores, comerciantes e frequentadores da Praia Brava. O animal desapareceu e, dias depois, uma das pessoas que o acompanhavam o encontrou caído, com ferimentos graves, em via pública, em estado agonizante. O cão recebeu atendimento veterinário, mas, conforme o Ministério Público de Santa Catarina, as agressões na região da cabeça levaram à necessidade de eutanásia. A rotina de cuidados incluía alimentação diária feita por moradores, que relatam a existência de casinhas para cães comunitários na orla da Praia Brava.
A Polícia Civil informou que quatro adolescentes são suspeitos pelas agressões que resultaram na morte de Orelha. Segundo o delegado-geral da instituição, Ulisses Gabriel, dois investigados permanecem em Florianópolis e dois viajaram para os Estados Unidos em uma viagem pré-programada para a Disney, em Orlando. A corporação cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços de investigados e de seus responsáveis legais, com coleta de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos para perícia. O Ministério Público informou que acompanha o caso e avalia os elementos colhidos para eventual aplicação de medidas socioeducativas.
Além da morte de Orelha, a investigação apura a tentativa de afogamento de um segundo cão, identificado como Caramelo, descrito como um vira-lata caramelo. Conforme o delegado-geral, a tentativa ocorreu no mesmo dia das agressões contra o cão comunitário, nas proximidades da Praia Brava. Caramelo conseguiu escapar e sobreviveu. O animal foi posteriormente adotado por um delegado da cúpula da Polícia Civil de Santa Catarina, identificado em reportagens como delegado-geral Ulisses Gabriel.
A apuração também envolve suspeita de coação ligada à família dos adolescentes investigados. A Polícia Civil identificou três adultos suspeitos de coagir testemunhas no curso da investigação, entre eles um policial civil que é pai de um dos adolescentes, conforme a corporação. A suspeita é de uso de ameaça ou violência para influenciar depoimentos, conduta que se enquadra no crime de coação no curso do processo, previsto no artigo 344 do Código Penal. Durante mandado de busca direcionado a um desses adultos, a polícia informou que não localizou a arma que supostamente teria sido usada para ameaça, mas apreendeu uma quantidade de drogas ainda não detalhada.
O caso chegou à Polícia Civil em 16 de janeiro, quando moradores relataram o desaparecimento de Orelha. Dias depois, a localização do animal ferido motivou o registro formal da ocorrência e o início das diligências. A partir daí, a investigação avançou com oitivas de moradores, coleta de imagens, análise de publicações em redes sociais e cumprimento de mandados de busca. A 10ª Promotoria de Justiça informou que diversas pessoas já prestaram depoimento e que novas oitivas estão previstas conforme o avanço da apuração.
Moradores da Praia Brava e entidades de proteção animal passaram a organizar manifestações e atos públicos após a divulgação das agressões contra o cão comunitário. Relatos apontam que Orelha circulava há anos pela orla, interagia com outros cães do bairro e recebia cuidados de diferentes pessoas, entre elas um aposentado que se apresentava como responsável por alimentar os animais diariamente. A morte do cão gerou mobilização nas redes, com pedidos de responsabilização dos envolvidos e questionamentos sobre a resposta do sistema de justiça a casos de maus-tratos a animais. Em Santa Catarina, dados recentes indicam aumento nos registros de violência contra cães e gatos, o que reforça a atenção de autoridades e organizações ao caso Orelha.





