Ministério Público denuncia trio por execução de casal de comerciantes que recusou pagar “pedágio” a facção no Ceará 

Investigação do MPCE desmente tese de crime por engano e aponta extorsão a comerciantes como motivação dos assassinatos em Fortaleza.

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio da 111ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, ofereceu denúncia formal contra três homens acusados pelo assassinato dos comerciantes Roseany Lima, de 48 anos, e Wallace Oliveira, de 46 anos. A manifestação do órgão ministerial aponta que o casal foi executado a tiros após se recusar a pagar uma taxa extorsiva, classificada como “pedágio” ou “taxa de moradia”, cobrada por uma organização criminosa que atua no bairro Novo Mondubim, na capital cearense.

A denúncia atinge Victor Freire, apontado como o executor dos disparos, além de José Ribamar Neto e Gabriel Freitas, que teriam prestado apoio logístico para garantir a fuga do local. O MPCE requereu a condenação do trio por homicídio triplamente qualificado e por integrar organização criminosa com atuação voltada ao domínio territorial. Os três denunciados permanecem detidos sob prisão preventiva.

A conclusão do Ministério Público representa uma reviravolta no inquérito e contrapõe a versão apresentada em depoimento por um dos investigados, que afirmava que as vítimas teriam sido mortas por engano em uma suposta confusão de alvos. As apurações confirmaram a premeditação do ato motivada pelo não pagamento dos valores cobrados pelo grupo criminoso.

O crime ocorreu na noite de 28 de agosto, quando os comerciantes trabalhavam em um trailer de lanches do qual eram proprietários. Wallace morreu no local do ataque e Roseany faleceu após ser socorrida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região. O casal, que também atuava no ramo de transporte escolar, deixou três filhos.

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