A morte do médico Álvaro Henrique Braga, irmão da menina Ana Lídia Braga — violentada e morta em setembro de 1973, em Brasília —, encerra a possibilidade de obtenção de novos depoimentos de testemunhas diretas sobre o homicídio. Álvaro, que era a última testemunha viva vinculada ao processo inicial, faleceu no Rio de Janeiro, onde exercia a medicina, com a confirmação do óbito publicada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj).
Ana Lídia desapareceu aos sete anos após ser deixada na porta de uma escola particular na Asa Norte. As apurações da época apontaram que um homem buscou a garota no local e, no dia seguinte, o corpo da vítima foi encontrado com sinais de violência nas proximidades da Universidade de Brasília (UnB). Álvaro chegou a ser detido pela Polícia Civil como suspeito de ter retirado a irmã do colégio e de ter agido em conjunto com Raimundo Lacerda Duque, mas ambos foram absolvidos pela Justiça em 1975 por falta de provas.
O caso também envolveu suspeitas contra Alfredo Buzaid Júnior, filho do então ministro da Justiça, e Eduardo Ribeiro de Rezende, filho de um senador da República, porém as conexões com o crime não foram comprovadas pelas autoridades judiciais durante o período da ditadura militar. O processo foi reaberto temporariamente em 1985 e, posteriormente, encerrado sem apontamento de culpados, alcançando a prescrição punitiva em setembro de 1993.
Ao longo de mais de cinco décadas, os pais de Ana Lídia sustentaram a inocência do filho. Os demais citados e os familiares diretos da vítima faleceram em anos anteriores, consolidando o encerramento definitivo das linhas de apuração sobre o caso sem a identificação dos responsáveis pelo crime.






