O tenente‑coronel Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, foi transferido para a reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, medida equivalente à aposentadoria dentro da estrutura militar. A decisão foi oficializada na quinta‑feira (2) por meio da publicação no Diário Oficial, o que retira o oficial de atividades operacionais, embora ele permaneça preso preventivamente.
Mesmo retirado da ativa, o tenente‑coronel continuará recebendo remuneração de forma praticamente integral, com base no tempo de serviço prestado à corporação e nas regras de aposentadoria para praças e oficiais da PM paulista. A legislação garante a continuidade dos proventos, mas não impede que a instituição aplique outras sanções caso se confirmem as acusações.
Geraldo Leite Rosa Neto está preso preventivamente desde o dia 18 de março, quando a Justiça decretou a prisão após receber a representação da Corregedoria da Polícia Militar e a conclusão de laudos periciais que apontaram inconsistências na versão de suicídio apresentada inicialmente. O caso ocorreu em fevereiro, quando a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o oficial, na capital paulista.
Inicialmente, a morte foi tratada como suicídio, mas exames realizados pelo Instituto Médico‑Legal (IML) identificaram sinais de agressão e circunstâncias incompatíveis com essa hipótese, o que levou a investigação a enquadrar o fato como feminicídio. A Polícia Civil de São Paulo indiciou o tenente‑coronel por feminicídio e fraude processual, pela suposta tentativa de manipular a cena do crime e dificultar a apuração.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a ida do oficial para a reserva não interfere nas investigações criminais, nem no processo administrativo disciplinar instaurado dentro da PM. O inquérito policial militar que apura a conduta do oficial segue em fase final e, após ser remetido, pode ser encaminhado a um Conselho de Justificação, procedimento que pode resultar na expulsão da corporação, perda do posto e da patente, mesmo que ele já esteja reformado e recebendo proventos.





