Técnico de enfermagem suspeito de matar pacientes diz que queria aliviar sofrimento das vítimas

A apuração aponta que os fatos ocorreram em 2024 e 2025, dentro da unidade pública de saúde, na região administrativa de Ceilândia, no DF.

BRASIL – O técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, afirmou em depoimento que queria aliviar o sofrimento das vítimas ao justificar a suspeita de ter aplicado substâncias indevidas em pacientes em hospital do Distrito Federal, em série de casos que resultou em mortes e em abertura de investigação por homicídio. O profissional atuava no Hospital Regional de Ceilândia e é apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como responsável por injeções que teriam provocado parada cardiorrespiratória em internados, sobretudo em pessoas em situação de vulnerabilidade clínica. A apuração aponta que os fatos ocorreram em 2024 e 2025, dentro da unidade pública de saúde, na região administrativa de Ceilândia, no DF.

Conforme as investigações, Marcos Vinícius é suspeito de administrar doses de medicamentos sem prescrição médica ou em quantidade superior à indicada, em pacientes internados em leitos de enfermaria e de pronto-socorro. O delegado Maurício Iacozzilli, responsável pelo caso, informou que o técnico apareceu em imagens internas do hospital em horários próximos ao agravamento repentino do quadro de vítimas que vieram a óbito. O suspeito negou, em um primeiro momento, ter injetado os medicamentos, mas a polícia o confrontou com registros de câmeras e dados coletados em prontuários.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal identificou aumento atípico de mortes em determinados plantões e acionou a PCDF para investigação. A partir disso, a polícia delimitou um conjunto de pacientes que apresentaram piora brusca do quadro após intervenções realizadas pelo técnico de enfermagem. O levantamento inclui vítimas de diferentes faixas etárias e condições clínicas, que estavam em tratamento na unidade pública.

Durante o depoimento, Marcos Vinícius declarou que tinha intenção de reduzir a dor e o sofrimento dos pacientes, argumento que a polícia considera incompatível com os procedimentos corretos na área da saúde. A PCDF destacou a frieza do investigado ao relatar a rotina no hospital e a forma como aplicava as substâncias. A apuração não identificou qualquer respaldo médico ou autorização para as aplicações sob suspeita.

O técnico de enfermagem foi preso preventivamente e levado para unidade prisional após representação da Polícia Civil e decisão da Justiça do DF. A prisão tem o objetivo de impedir interferência nas investigações e evitar novos riscos a pacientes atendidos na rede pública. A defesa do investigado deve se manifestar no curso do inquérito e de eventual ação penal.

A polícia trabalha para concluir laudos e cruzar informações de prontuários, escalas de plantão e registros de medicamentos aplicados. O objetivo é definir o número exato de vítimas, apontar o nexo entre as substâncias administradas e as mortes e enquadrar o suspeito em crimes como homicídio qualificado e, possivelmente, homicídio tentado. Os resultados também devem orientar eventuais medidas administrativas dentro da Secretaria de Saúde, com revisão de protocolos e de mecanismos de fiscalização interna em hospitais públicos do DF.

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