Veja o passo a passo do teste que promete identificar adulterações por metanol

(Foto: Divulgação)

Pernambuco (PB) – Uma tecnologia inovadora desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com o financiamento do Governo da Paraíba, por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq), oferece uma alternativa rápida, sustentável e altamente precisa para identificar metanol e outras fraudes em bebidas alcoólicas. 

A plataforma analítica integrada foi descrita nos artigos científicos “Um método verde para autenticação de aguardente de cana-de-açúcar e previsão de densidade e teor alcoólico com base em espectroscopia de infravermelho próximo e ferramentas quimiométricas” (Food Research International, 2023), “Autenticação não destrutiva de Cachaças do Brejo Paraibano baseada em espectroscopia MIR” (Food Chemistry, 2025) e “Quantificação do teor alcoólico e identificação de fraudes em cachaças tradicionais por espectroscopia.

Amostragem

Coleta-se uma pequena porção da bebida (pode ser amostra líquida em frasco ou vidro no caso de equipamento adaptado). Em dispositivos realmente portáteis, muitas vezes não há necessidade de preparação extensa — a amostra é apenas colocada no suporte do aparelho.

Irradiação e aquisição do espectro (NIR/MIR)

O equipamento emite luz nos comprimentos de onda do infravermelho próximo (NIR) e/ou médio (MIR).

A bebida absorve e reflete essas radiações em padrões específicos; o detector captura esse padrão como um espectro (um gráfico que mostra intensidade vs. comprimento de onda).

Pré-processamento dos dados

O espectro bruto passa por correções matemáticas (remoção de ruído, correção de linha de base, suavização, normalização) para tornar os sinais comparáveis entre amostras e reduzir interferências físicas (como turbidez ou variação de temperatura).

Extração de características

Técnicas como análise de componentes principais (PCA) identificam os padrões dominantes do espectro; isso reduz a dimensionalidade e isola os sinais relacionados a compostos de interesse (álcool etílico, metanol, açúcares, aditivos).

Modelagem quimiométrica (calibração)

Modelos multivariados (ex.: PLS — Partial Least Squares para quantificação; PLS-DA ou SVM para classificação) previamente treinados com grandes bases de dados de amostras conhecidas são aplicados ao espectro pré-processado.

Esses modelos estimam: teor alcoólico (% v/v), presença/percentual de metanol, probabilidade de adulteração e assinatura de origem geográfica.

Decisão automática

O sistema compara os resultados com limites de segurança e com perfis de referência. Se o metanol estiver acima de um limiar seguro ou se a amostra for classificada como adulterada, o software emite um alerta imediato (p. ex. “ALERTA: metanol detectado — ação de recolhimento recomendada”).

Relatório e rastreabilidade

O resultado é gravado com identificação da amostra, hora, localização (em dispositivos com GPS) e um código de rastreabilidade, permitindo acompanhamento por auditorias e vigilância sanitária.

Integração e escalabilidade

Em campo, o dispositivo pode sincronizar dados com um banco central (nuvem) para criar mapas de risco, alimentar modelos em treinamento contínuo e organizar ações de fiscalização direcionadas.

Tempo e precisão: o procedimento completo (da amostra ao resultado) pode levar de segundos a poucos minutos. Nos estudos do grupo, a plataforma alcançou até 97,3% de precisão na detecção de adulterações e erro médio de ~1,8% v/v na quantificação do teor alcoólico — números que colocam a técnica como competitiva frente a métodos laboratoriais tradicionais, porém com a vantagem da rapidez e portabilidade.

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