Do Habib’s às Casas Bahia: entenda porque tantas empresas estão quebrando no Brasil

Indicador atingiu 6,3 mil casos no segundo trimestre de 2026, com impacto concentrado nos setores do varejo, indústria e agronegócio.
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O número de empresas brasileiras em processo de recuperação judicial registrou uma alta de 66% nos últimos três anos, somando 6.341 ocorrências no segundo trimestre de 2026. Levantamento da consultoria RGF indica que as solicitações concentram-se no varejo (21%), na indústria de transformação (19,6%) e no agronegócio (17,5%), englobando companhias de grande porte como Habib’s, Casas Bahia, Marabraz, Braskem e Raízen.

Analistas econômicos e acadêmicos apontam que a alta dos pedidos decorre de uma combinação entre fatores macroeconômicos e falhas internas de governança. O cenário financeiro é impactado pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados, o que encarece as dívidas corporativas, restringe o crédito bancário e reduz o poder de compra da população diante do endividamento das famílias.

No âmbito da gestão corporativa, especialistas destacam os efeitos das reestruturações e cortes operacionais realizados nos últimos anos. Entre 2020 e 2025, o mercado formal brasileiro registrou uma redução líquida de 112 mil postos de trabalho em cargos de gerência e diretoria, resultando na centralização de decisões estratégicas, na perda de profissionais qualificados e em erros no planejamento de expansão de lojas físicas e plataformas de comércio eletrônico.

Em resposta aos dados, o Ministério da Fazenda negou a existência de uma crise generalizada na economia e atribuiu as dificuldades pontuais no comércio ao custo do crédito. A previsão de analistas de mercado aponta para a permanência de juros em dois dígitos nos próximos anos, mantendo a pressão sobre a capacidade de pagamento das companhias endividadas.

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