EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após conclusão de investigação comercial

Medida responde a políticas do Brasil consideradas "irrazoáveis" em seis áreas principais, incluindo comércio digital, mercado de etanol e combate ao desmatamento
eua-propoem-tarifa-de-25-sobre

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu, na última segunda-feira (1º), uma investigação que classifica as políticas e práticas comerciais do governo brasileiro como irrazoáveis. Como contrapartida, o governo norte-americano propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma série de mercadorias importadas do Brasil, sob a alegação de que as ações de Brasília oneram e restringem as operações comerciais das empresas dos EUA.

A base jurídica para a sanção apoia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. De acordo com o embaixador Jamieson Greer, o procedimento investigativo foi aberto por determinação do presidente Donald Trump para dar resposta a entraves comerciais históricos. Greer sinalizou que, embora Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenham se reunido nos últimos meses, persistem divergências profundas e substanciais na agenda bilateral entre as duas nações.

As seis áreas de irregularidades apontadas pelos EUA

O relatório final elaborado pelo órgão americano detalha desconformidades e práticas consideradas prejudiciais em seis pilares estratégicos:

  1. Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: O relatório questiona ordens emitidas pelo Judiciário brasileiro voltadas à remoção de conteúdo, suspensão de perfis em redes sociais de propriedade de empresas norte-americanas e imposição de restrições operacionais a sistemas de pagamentos internacionais.

  2. Acesso ao mercado de etanol: Os EUA acusam o Brasil de descumprir o tratamento tarifário recíproco para o biocombustível norte-americano desde o ano de 2017.

  3. Combate ao desmatamento ilegal: O texto pontua que, mesmo dispondo de uma legislação ambiental robusta contra a derrubada de florestas, o governo brasileiro falha na aplicação rigorosa e eficaz dessas normas protetivas.

  4. Tarifas preferenciais desleais.

  5. Aplicação de medidas anticorrupção.

  6. Proteção da propriedade intelectual.

Próximos passos e prazos para a aplicação das tarifas

As sobretaxas propostas pela administração americana ainda não entraram em vigor e passarão por ritos institucionais de validação. O Escritório do Representante Comercial abriu os termos do documento para a manifestação da sociedade civil e de setores econômicos afetados:

Cronograma de Aplicação da Medida (Seção 301)
├── 1º de Julho ──────> Prazo final para envio de comentários e contestações por escrito.
├── 6 de Julho ───────> Realização de audiência pública oficial nos EUA.
└── 15 de Julho ──────> Prazo limite legal para a tomada de medidas corretivas finais.
Tags:
Compartilhar Post: