A Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) iniciou trâmites jurídicos para mover uma ação criminal contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, acusando o dirigente de “gestão criminosa”. A medida decorre do controverso plano — já abandonado — de vender participações comerciais de competições da entidade, como a Copa do Mundo masculina e feminina e o Mundial de Clubes, a investidores privados.
Segundo documentos aos quais a BBC Sport teve acesso, a entidade europeia acionou um tribunal na Flórida (EUA) para ter acesso a arquivos de duas subsidiárias da federação internacional (Fifa Americas e FWC2026). As provas servirão de base para a denúncia penal a ser apresentada na Suíça, onde fica a sede da Fifa.
Principais pontos da acusação da Uefa:
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Criação da Fifa Forward Enterprise (FFE): O plano previa transferir os direitos comerciais dos torneios para uma nova empresa e vender participações a privados por US$ 4,2 bilhões (R$ 21 bilhões).
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Subavaliação dos ativos: A Uefa alega que o valor da negociação fixava o patrimônio da Fifa em cerca de US$ 20 bilhões — número considerado “absurdamente baixo” e definido sem leilão competitivo ou auditoria independente.
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Falta de transparência: A proposta teria sido articulada em segredo por mais de um ano e apresentada de forma repentina aos dirigentes no final de julho de 2026, oferecendo repasses de US$ 40 milhões às 211 federações em troca de aprovação rápida.
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Risco de enriquecimento ilícito: O documento sustenta que o esquema serviria para beneficiar financeiramente Infantino e um pequeno grupo de investidores, causando prejuízos diretos às associações-membro.
Reação e crise política
A forte reação liderada pela Uefa, acompanhada por federações da Concacaf e da Confederação Asiática de Futebol (AFC), culminou em ameaças de boicote às Copas do Mundo e no recuo de Infantino, que acabou cancelando a proposta.
Mesmo com o cancelamento do projeto, o presidente da Fifa — que busca a reeleição para um quarto mandato em março de 2027 — enfrenta forte desgaste e perda de apoio de diversas confederações europeias e britânicas, mantendo o respaldo em blocos como Conmebol e Caf. A Uefa defende que a ação legal é necessária para restabelecer limites à autoridade presidencial e promover reformas estruturais na governança do futebol mundial.






