MUNDO – O orangotango Rakus aplicou uma planta medicinal sobre um ferimento em sua bochecha, comportamento nunca antes registrado em um animal selvagem. A situação foi observada por cientistas durante o verão de 2022, na estação de pesquisa Suaq Balimbing, no Parque Nacional Gunung Leuser, ilha de Sumatra, Indonésia. Pesquisadores acompanharam Rakus, um macho adulto de 30 a 32 anos, enquanto ele utilizava folhas de uma trepadeira conhecida localmente como Akar Kuning—planta com propriedades antibacterianas, antifúngicas, anti-inflamatórias e antioxidantes—para tratar um corte profundo abaixo do olho direito.
A equipe acredita que a lesão de Rakus possa ter sido resultado de uma queda de árvore ou de uma disputa com outro orangotango. Após machucar-se, Rakus mastigou as folhas da planta, extraiu o líquido e o colocou diretamente sobre o ferimento. Repetiu o processo diversas vezes ao longo de sete minutos e, logo depois, cobriu a ferida com parte sólida da folha. No dia seguinte, consumiu mais da planta. Três dias após o início do tratamento, os pesquisadores notaram que o ferimento havia fechado, cicatrizando completamente em poucas semanas.
Esse caso marca a primeira vez que cientistas registram um animal selvagem tratando deliberadamente uma ferida aberta com material de propriedades medicinais comprovadas. A descoberta lança nova luz sobre o comportamento de autocuidado dos grandes primatas e suas possíveis origens evolutivas, aproximando o entendimento sobre como práticas ancestrais de medicina podem ter surgido.
Sumatra abriga cerca de 14.600 orangotangos, espécie considerada criticamente ameaçada de extinção. O habitat da espécie vem sendo destruído principalmente pelo desmatamento, o que força os animais a conviverem mais próximos. Desde 1994, cientistas monitoram os orangotangos na região sem interferir em suas rotinas, o que proporciona registros detalhados de comportamentos notáveis como esse.
A literatura científica já documentou casos de primatas ingerindo folhas com propriedades terapêuticas para controlar parasitas ou aliviar doenças, mas raramente com identificação precisa das espécies usadas e com documentação da aplicação externa para tratar lesões. Por isso, o episódio envolvendo Rakus representa um avanço importante no entendimento da automedicação animal.
O registro foi publicado em um estudo liderado por Isabelle Laumer, do Instituto Max Planck de Comportamento Animal, na Alemanha. A observação reforça a ideia de que práticas de automedicação podem ter raízes evolutivas profundas na linhagem dos grandes primatas, e destaca a necessidade de proteção dos orangotangos e de seus ambientes nativos.
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