A Organização das Nações Unidas (ONU) deu início ao processo de seleção do seu próximo secretário-geral em meio a um cenário de instabilidade geopolítica e questionamentos sobre a eficácia do multilateralismo. O Conselho de Segurança realizou a primeira votação informal e secreta para avaliar os nomes cotados para suceder o português António Guterres, cujo mandato se encerra em 31 de dezembro.
A escolha da nova liderança ocorre sob o impacto de conflitos prolongados como as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza, que evidenciaram impasses e paralisações no Conselho de Segurança decorrentes do poder de veto dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
O rito de escolha prevê consultas informais no Conselho de Segurança até a consolidação de uma candidatura que obtenha ao menos nove votos favoráveis e nenhum veto dos membros permanentes. Na sequência, o nome indicado é submetido à votação formal na Assembleia Geral, composta por 193 países-membros, para a confirmação de um mandato de cinco anos, com início em 1º de janeiro de 2027.
Entre as lideranças cotadas para o cargo figuram a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Rafael Grossi, a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan, a ex-chanceler do Equador María Fernanda Espinosa, a diplomata guianense Carolyn Rodrigues-Birkett e o ex-presidente do Senegal Macky Sall.
Analistas apontam que a definição do novo secretário-geral servirá como indicativo sobre a disposição da comunidade internacional em promover reformas institucionais na estrutura da ONU e redefinir a capacidade de mediação diplomática da entidade perante as grandes potências.






