Igreja Católica reafirma compromisso com a Amazônia em encontro inédito

Evento renova votos pela vida dos povos amazônicos; Conferência Eclesial da Amazônia impulsiona integração e missão compartilhada da Igreja.

– A Amazônia ocupa quase metade do território da América do Sul e reúne riqueza ambiental, diversidade cultural e desafios sociais. São 8,47 milhões de km², abrangendo oito países da região e a Guiana Francesa, onde vivem cerca de 33 milhões de pessoas. A população inclui de 3 a 4 milhões de indígenas de aproximadamente 390 povos, que mantêm mais de 240 línguas. O ambiente amazônico influencia os regimes de chuva do continente e regula fluxos de ar globais, mas enfrenta ameaças como desmatamento, mineração e práticas predatórias que afetam a vegetação e a vida das comunidades locais.

A Igreja Católica se faz presente na Pan-Amazônia com 105 jurisdições eclesiásticas distribuídas em Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. O trabalho pastoral acontece por meio de 2.581 paróquias, zonas pastorais e áreas missionárias, com atuação de 25.710 leigos agentes pastorais, 5.041 religiosas, 4.206 presbíteros, 2.329 religiosos, 297 diáconos permanentes e 168 bispos (conforme o Annuario Pontificio 2023). Entre os bispos, 73 são diocesanos e 95 são religiosos, sendo que 100 nasceram em seus países de atuação e 68 vieram de outros territórios. Congregações femininas e masculinas estão fortemente representadas, com 665 e 297 grupos respectivamente.

O caminho da Igreja amazônica passou por adaptações históricas, desde tempos coloniais até as mudanças impulsionadas pelo Concílio Vaticano II. Entre 1971 e 2013, encontros marcantes como os realizados em Iquitos, Santarém, Pucallpa, Manaus, Fusagasugá e Aparecida construíram as bases para articulação pan-amazônica futura. Com o pontificado do Papa Francisco, esse movimento se fortaleceu em 2013 com a criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e foi consolidado pelo Sínodo Amazônico (2017-2019), cujo processo de escuta e discernimento resultou na exortação apostólica “Querida Amazônia” e em quatro sonhos: sociais, culturais, ecológicos e eclesiais.

Em 2020, foi criada a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), de caráter eclesial e com foco na missão compartilhada, ampliando a integração de diferentes atores da Igreja no território. Entre os dias 17 e 20 de agosto de 2025, Bogotá recebe o primeiro grande encontro episcopal amazônico desde o Sínodo, promovido pela CEAMA. O objetivo é renovar compromissos com a vida, os povos e a preservação ambiental da região, inspirando práticas que reflitam o espírito de sinodalidade e esperança para o continente.

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