MUNDO – Um jovem de 18 anos, morreu após detonar acidentalmente um artefato explosivo que seria usado em uma tentativa de extorsão contra um comércio no distrito de Comas, na zona norte de Lima, capital do Peru. A explosão ocorreu na noite de domingo, em via pública, durante ação atribuída a grupos criminosos que atuam como “cobradores” de extorsão na região. Poucos minutos depois, um segundo artefato semelhante explodiu em uma casa no distrito de Ancón, também em Lima Norte, sem deixar feridos.
O primeiro caso aconteceu no cruzamento das avenidas Casanave e Blanco Núñez de Vela, na urbanização La Pascana, em Comas. Pedro chegou ao local em uma motocicleta acompanhado de um cúmplice, que fugiu logo após a detonação. Moradores ouviram o estrondo e encontraram o jovem caído na rua, com ferimentos graves na mão e no abdômen; o capacete que ele usava ficou destruído, o que indica a força do explosivo.
Vizinhos colocaram o rapaz em veículos particulares e levaram até um hospital nas proximidades. Apesar do socorro rápido, ele não resistiu e teve a morte confirmada ainda na noite de domingo. A motocicleta utilizada na ação criminosa foi abandonada no local da explosão e passou a integrar o material analisado pelos investigadores.
Instantes depois, um segundo explosivo foi acionado em uma residência em Ancón, ao norte de Lima. O artefato provocou danos materiais e pânico entre moradores, mas não houve registro de vítimas. A Polícia Nacional do Peru trata os dois episódios como parte de uma mesma sequência criminosa, ligada a tentativas de extorsão contra comerciantes e moradores de Lima Norte.
A Divisão de Investigação de Crimes de Alta Complexidade e a Diretoria Contra o Crime Organizado assumiram as investigações. Peritos em explosivos avaliam fragmentos recolhidos nos dois endereços para identificar o tipo de dinamite ou material similar utilizado e rastrear possíveis fornecedores. Imagens de câmeras de segurança da área também são revisadas na tentativa de identificar o cúmplice que fugiu de moto.
Conforme as primeiras apurações, Pedro, morador do bairro Collique, em Comas, teria ligação com uma quadrilha especializada em realizar ataques com explosivos para pressionar comerciantes a pagar quantias exigidas em extorsões. Vítimas relatam alta de ameaças, com recados de grupos que se apresentam como donos da área e impõem pagamento sob pena de explosões em lojas, farmácias e residências.
Os distritos de Comas e Ancón enfrentam há meses uma escalada de violência associada ao crime organizado, marcada por atentados com explosivos e disputas entre facções que atuam na cobrança de “propinas” e no tráfico de drogas. Autoridades anunciaram reforço no patrulhamento, intensificação de operações e ações voltadas à desarticulação das redes que comandam esse tipo de ataque em Lima Norte.
Até o momento, não há registro de prisões relacionadas diretamente às duas explosões de domingo. A polícia peruana pede que moradores denunciem ameaças e tentativas de extorsão por meio dos canais de emergência, para auxiliar na identificação dos responsáveis e no avanço das investigações.





