O Tribunal de Assizes de Digne-les-Bains, na França, condenou o banqueiro francês Guillaume Bucci, de 51 anos, a uma pena de 25 anos de reclusão. Ele foi considerado culpado por submeter sua companheira a uma rotina de torturas físicas e psicológicas ao longo de sete anos, além de agenciar e forçar a inserção da mulher em situações de abuso sexual envolvendo cerca de 500 homens.
O veredito foi proferido no último sábado (25). Durante o julgamento, Bucci chegou a admitir a autoria de diversas práticas violentas — incluindo episódios de estrangulamento e queimaduras —, mas tentou se defender perante a Corte alegando que os atos faziam parte de “jogos sexuais consensuais”. Os abusos ocorreram de forma contínua entre os anos de 2015 e 2022, persistindo inclusive no período imediatamente posterior ao nascimento da filha do casal.
Humilhações diárias, ameaças e exploração
Os relatos anexados ao processo expõem a gravidade do cenário de controle e degradação humana imposto à vítima:
Atos de degradação: A mulher, identificada como Laetitia, de 42 anos, testemunhou que era obrigada pelo agressor a lamber vasos sanitários públicos e a ingerir a urina do criminoso.
Exploração sexual em massa: Bucci tratava a companheira como “escrava” e a coagia a se relacionar com “amigos, colegas e estranhos”. A vítima relatou ter interrompido a contagem dos abusadores quando o número atingiu a marca de 487 homens, muitos dos quais retornaram múltiplas vezes.
Consciência do trauma: Diferente de casos correlatos de grande repercussão na França em que as vítimas eram dopadas, Bucci fazia questão de manter a companheira totalmente consciente durante as agressões, afirmando que ela “precisava perceber o que estava acontecendo”.
Coação e ameaças de morte: Embora o banqueiro tenha alegado em juízo que “não achava que estava machucando” a parceira, o histórico de mensagens de texto recuperado pelos investigadores comprovou que ele enviava ameaças explícitas de morte para garantir que suas ordens fossem rigorosamente cumpridas.
Inspiração no caso Gisèle Pelicot
Em depoimento emocionado prestado ao canal de televisão francês TF1, Laetitia revelou que a sua decisão de enfrentar o tribunal e abrir mão do direito ao anonimato foi diretamente inspirada na postura de Gisèle Pelicot — cujo julgamento de repercussão global em 2024 expôs crimes semelhantes orquestrados pelo ex-marido






