MUNDO – Um recuo do governo dos Estados Unidos em relação a novas ações militares na Venezuela ocorreu após o país sul-americano iniciar a soltura de presos políticos, incluindo figuras da oposição e ativistas de direitos humanos. O presidente Donald Trump afirmou que uma segunda onda de ataques, antes prevista, deixou de ser necessária diante dos sinais de cooperação enviados pelo novo governo interino venezuelano.
A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (9), por meio de publicação na rede Truth Social, quase uma semana após a primeira ofensiva militar americana que levou à captura do ex-presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores. Trump declarou que a libertação de um grupo de presos políticos representa um gesto de busca pela paz e classificou a medida como ato importante por parte de Caracas. Até o momento, ao menos sete pessoas foram soltas, entre elas a ativista de direitos humanos Rocío San Miguel, o ex-deputado Biagio Pilieri e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez.
Segundo o presidente americano, apesar do cancelamento da nova fase de ataques, todos os navios envolvidos na operação militar permanecerão posicionados por motivos de segurança. Em suas declarações, Trump indicou que Estados Unidos e Venezuela passaram a trabalhar em conjunto em temas como a reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás, além de negociações sobre investimentos de grandes petroleiras na exploração do petróleo venezuelano. O republicano mencionou a possibilidade de aportes de até 100 bilhões de dólares no setor de energia do país sul-americano, com encontros previstos com executivos dessas empresas na Casa Branca.
Organizações de direitos humanos afirmam que, mesmo com as recentes solturas, centenas de pessoas seguem presas por motivos políticos na Venezuela. A ONG Foro Penal calcula a existência de mais de 800 detidos nessa condição, incluindo militares, mulheres e um adolescente, o que indica que o processo de liberação ainda é parcial. Lideranças opositoras e entidades civis defendem que a continuidade da pressão internacional e das negociações seja mantida para ampliar a libertação de presos e reduzir a repressão interna.





