Roma, 21 de abril de 2025 – O Papa Francisco, líder da Igreja Católica e primeiro pontífice das Américas, faleceu nesta segunda-feira (21), às 7h35 (horário de Roma), na Santa Marta, no Vaticano. A notícia foi confirmada pelo cardeal Camerlengo Kevin Farrell, que em comunicado emocionado destacou a dedicação do pontífice ao serviço da fé e aos mais necessitados.
Última aparição pública
No domingo de Páscoa (20), Francisco apareceu na sacada da Basílica de São Pedro para a tradicional bênção Urbi et Orbi, marcando sua última mensagem pública. “Deixou um legado de amor e reconciliação”, afirmou Farrell, pedindo orações pela alma do Papa, “um verdadeiro discípulo de Cristo”.
Saúde frágil e hospitalizações
Nos últimos anos, o Papa enfrentou diversos problemas de saúde, incluindo bronquite, fraturas por quedas e dificuldades de mobilidade, que o levaram a usar cadeira de rodas e bengala. Em fevereiro de 2025, foi internado por quase 40 dias devido a uma bronquite aguda, mas manteve compromissos até seus últimos dias.
Trajetória histórica
Nascido Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires (1936), filho de imigrantes italianos, Francisco foi o primeiro papa jesuíta e non europeu em mais de 1.200 anos. Ordenado sacerdote em 1969, tornou-se arcebispo da capital argentina e, depois, cardeal (2001). Eleito em 2013 após a renúncia de Bento XVI, seu papado foi marcado por reformas, diálogo inter-religioso e defesa dos pobres.
Primeiro Papa das Américas
Francisco assumiu o papado em 2013, mas, ao longo dos últimos anos, começou a apresentar problemas de saúde, desde gripes e resfriados até ferimentos provocados por quedas em seu próprio apartamento, no Vaticano.
Com a saúde cada vez mais fragilizada, chegou a usar cadeira de rodas e bengalas para se locomover em eventos que exigiam maior esforço físico, além de limitar suas falas em razão de diversas infecções respiratórias.
Em fevereiro, foi internado para realizar exames e tratar um quadro de bronquite, inflamação dos brônquios geralmente provocada por vírus como o da influenza ou o vírus sincicial respiratório.
Apesar do agravamento da saúde no decorrer dos anos, o papa vinha mantendo grande parte de sua agenda diária de compromissos, participando, inclusive, de reuniões em sua própria residência.
Em meados de 2024, sobre a possibilidade de também ele renunciar, Francisco se referiu ao tema como “hipótese distante”, já que ainda mantinha saúde suficiente para seguir com seu papado. “Não tenho motivos sérios o suficiente para me fazerem pensar em desistir”.
Ao longo de seu papado, Francisco lançou diversos apelos à comunidade internacional por cessar-fogo em conflitos na Europa e no Oriente Médio – incluindo a guerra entre Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, os ataques do Hamas à Faixa de Gaza.
“Todas as nações têm o direito de existir em paz e em segurança e seus territórios não devem ser atacados ou invadidos. A soberania deve ser respeitada e garantida pelo diálogo e pela paz, não pelo ódio e pela guerra.”
Em janeiro de 2025, Francisco nomeou uma mulher para chefiar um importante gabinete do Vaticano, escolhendo a freira Simona Brambilla para dirigir o departamento responsável por todas as ordens da Igreja Católica.
Com a nomeação, pela primeira vez, uma mulher fica responsável por um dicastério ou congregação da Cúria da Santa Fé, órgão central de governo da Igreja Católica. Simona substitui o cardeal brasileiro reformado João Braz de Aviz.
Em outubro de 2024, durante missa na Praça de São Pedro, Francisco proclamou a canonização do padre italiano José Allamano, fundador da congregação dos Missionários da Consolata, por um milagre que teria ocorrido na Amazônia brasileira.
Segundo a organização Consolata América, o milagre ocorreu em 1996, em Roraima, quando um indígena yanomami foi atacado por uma onça e apresentou um grave ferimento na cabeça. Um grupo de missionários teria invocado José Allamano pedindo a recuperação do rapaz, o que se realizou.
Em agosto de 2024, Francisco fez um de seus últimos alertas em prol da preservação do meio ambiente e exigindo uma ação global contra as mudanças climáticas. “Se medirmos a temperatura do planeta, isso nos dirá que a Terra está com febre. Ela está doente”.
“Precisamos nos comprometer com a proteção da natureza, mudando nossos hábitos pessoais e comunitários”, disse. “Os que mais sofrem com as consequências desses desastres são os pobres, aqueles que são forçados a deixar suas casas por causa de enchentes, ondas de calor ou secas”, completou.
Leia mais
Receba notícias do Notícia 360 no seu WhatsApp e fique bem informado!
CLIQUE AQUI: https://chat.whatsapp.com/Lbu6eXI9GDMBDj8GWDIL4s





