O avanço global das canetas emagrecedoras da classe dos análogos do GLP-1 (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro) trouxe à tona uma preocupação que vai além da perda de gordura: a redução acentuada de massa muscular. Esse emagrecimento acelerado costuma provocar flacidez e perda de volume em regiões específicas do corpo, um fenômeno batizado popularmente de “bumbum de Ozempic”.
No entanto, um ensaio clínico publicado na prestigiosa revista científica Nature Medicine revelou que um novo medicamento em fase de testes, o apitegromab, pode ser a chave para solucionar esse efeito colateral. A substância atua bloqueando uma proteína específica do organismo associada à degradação e atrofia dos tecidos musculares.
Os números do estudo clínico
O estudo de fase inicial acompanhou 102 adultos (majoritariamente mulheres) ao longo de seis meses. Todos os voluntários faziam tratamento contra a obesidade utilizando o medicamento Mounjaro (tirzepatida).
O grupo foi dividido entre os que receberam doses de apitegromab e os que receberam apenas um placebo. Os resultados medidos por exames de imagem corporal foram expressivos:
Proporção de Massa Magra Perdida no Emagrecimento Total
├── 🔴 Grupo Placebo (Apenas Mounjaro) ──> 30,2% do peso perdido foi massa muscular
└── 🟢 Grupo Apitegromab + Mounjaro ────> 14,6% do peso perdido foi massa muscular
Na prática, os pacientes que associaram o novo fármaco ao tratamento emagrecedor preservaram cerca de 1,9 kg a mais de massa magra — o que representa uma eficiência 55% maior na retenção dos músculos em comparação ao tratamento convencional. O dado é considerado vital por médicos, uma vez que pesquisas em solo norte-americano indicam que até um terço de todo o peso eliminado com o uso de injetáveis GLP-1 decorre da quebra de tecidos musculares, e não de gordura.
Estágio atual e mecanismos do fármaco
Atualmente, o apitegromab não está disponível para compra em farmácias e o seu uso permanece restrito a ensaios de laboratório. O medicamento original foi desenhado para tratar patologias neuromusculares degenerativas graves, como a Atrofia Muscular Espinhal (AME).
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Via de administração: Nas pesquisas atuais, o produto é aplicado diretamente na veia do paciente por meio de infusões hospitalares.
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Próximo passo comercial: A empresa farmacêutica responsável pelo desenvolvimento e pelo financiamento da pesquisa já iniciou testes de engenharia biomédica para avaliar se a substância pode ser sintetizada em uma versão subcutânea, permitindo a autoaplicação por canetas injetoras portáteis, idênticas às do mercado de emagrecimento.
Apesar do entusiasmo do mercado estético e de cirurgiões plásticos, a comunidade científica prega cautela. Especialistas independentes, como a professora Marie Spreckley, ponderam que os dados atuais funcionam apenas como uma “evidência inicial encorajadora”. São necessários testes de longo prazo para atestar se o bloqueio proteico mantém a força física real e a segurança cardiovascular dos usuários ao longo dos anos.
A alternativa natural: Estilo de vida e aporte proteico
Enquanto a medicina busca uma resposta sintética para o problema, autoridades de saúde, incluindo o serviço de saúde britânico (NHS), reforçam que a prática regular de exercícios de contra-resistência (força) e o ajuste dietético são as únicas ferramentas validadas e seguras para conter a flacidez decorrente da perda ponderal de peso.
🍳 A regra dos 20g a 40g: Nutricionistas apontam que o consumo fracionado de 20 a 40 gramas de proteína por refeição é a meta ideal para estimular a síntese de aminoácidos e proteger o músculo. Visualmente, isso equivale a preencher pelo menos um quarto de um prato tradicional com fontes de proteína vegetal ou animal.
Atividades de fortalecimento recomendadas (mínimo de 2 vezes por semana):
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Treinamento com pesos livres (musculação clássica) ou faixas elásticas;
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Exercícios calistênicos utilizando o peso do próprio corpo (flexões, agachamentos e abdominais);
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Práticas integrativas como ioga, pilates clínico e subida de escadas/caminhadas em aclives acentuados.






