A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) concluiu o inquérito e indiciou formalmente o médico anestesiologista Orlando Ignacio Aguirre por homicídio culposo, após a investigação apontar uma sucessão de erros e negligência técnica que resultaram na morte do bebê Pedro Henrique Falcão Soares Lima, de apenas 1 ano e 3 meses. O trágico episódio, ocorrido nas dependências da Maternidade do Hospital Municipal Eraldo Neves Falcão, em Presidente Figueiredo, expõe falhas gravíssimas no cumprimento de protocolos de segurança obrigatórios, incluindo a ausência de monitoramento adequado da vítima durante o procedimento cirúrgico.
Segundo as evidências reunidas pelo 37º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o profissional teria desconsiderado normas fundamentais da prática médica, como a utilização do capnógrafo — equipamento essencial para a aferição dos níveis de dióxido de carbono e da qualidade respiratória do paciente sob sedação. Além da ausência do dispositivo técnico, os investigadores identificaram que o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, documento jurídico obrigatório que autoriza a intervenção, não possuía a assinatura devida antes do início da operação, configurando uma irregularidade administrativa que precede o erro médico fatal.
O relato da mãe da criança, Stefany Falcão Lima, detalha momentos de desespero dentro do centro cirúrgico, onde ela teria presenciado o médico aumentar a dosagem da anestesia após a sedação inicial não produzir o efeito esperado no bebê. Pedro Henrique, que havia sido levado à unidade originalmente por uma dor de ouvido e acabou encaminhado para uma cirurgia de fimose, apresentou uma queda abrupta na saturação de oxigênio logo após a intervenção do anestesista; a mãe afirma ainda que, diante da crise respiratória do filho, o médico demonstrou hesitação em buscar auxílio, sendo necessário que a própria genitora solicitasse a presença de um pediatra para iniciar manobras de reanimação.
Embora o pediatra tenha tentado reverter o quadro de parada cardiorrespiratória, o bebê não resistiu e veio a óbito ainda no local, em um caso que agora tramita no Poder Judiciário com indícios contundentes de imperícia e omissão de socorro imediato por parte do responsável pela anestesia. A conclusão do inquérito da PC-AM reforça a gravidade das omissões do profissional indiciado, enquanto a família de Pedro Henrique clama por justiça diante de um procedimento que, embora considerado de rotina, foi marcado pela inobservância técnica e pela falta de preparo emergencial diante de complicações previsíveis em pacientes pediátricos.






