A Polícia Federal deflagrou, nas primeiras horas desta quinta-feira, a quinta fase da Operação Compliance Zero, uma ofensiva estratégica que visa desarticular uma sofisticada rede de fraudes financeiras e corrupção sistêmica vinculada aos interesses do Banco Master. O senador Ciro Nogueira, atual presidente nacional do Partido Progressistas, figura como o alvo principal desta etapa da investigação, sendo que agentes federais cumprem mandados de busca e apreensão em seus endereços oficiais e residenciais localizados em Brasília e no estado do Piauí, em uma ação que também alcançou seu irmão, Raimundo Nogueira.
De acordo com o relatório detalhado da Polícia Federal, o qual fundamentou a decisão proferida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, existem indícios robustos de que Ciro Nogueira teria instrumentalizado o seu mandato parlamentar para atuar em benefício direto do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário da referida instituição financeira. A investigação aponta que o senador seria o destinatário central de uma série de vantagens econômicas indevidas, que incluiriam desde pagamentos mensais sistemáticos e o recebimento de vultosas quantias em dinheiro espécie até a aquisição de participações societárias com descontos desproporcionais e o custeio de despesas pessoais de alto valor.
A operação desta quinta-feira mobiliza o efetivo policial para o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão, além de uma ordem de prisão temporária expedida contra Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, que foi detido em Minas Gerais por sua suposta participação no esquema de blindagem e movimentação dos recursos ilícitos. Paralelamente às prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio imediato de bens, direitos e valores que totalizam a cifra de R$ 18,85 milhões, montante este que seria compatível com o prejuízo estimado ou com as vantagens indevidas circuladas pelos alvos desta fase da operação nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Piauí e no Distrito Federal.
O avanço da Operação Compliance Zero sobre o núcleo político do Progressistas expõe uma dinâmica de promiscuidade entre o setor bancário e o exercício da função pública, na qual o uso de bens de luxo e a influência política teriam sido convertidos em moeda de troca para o favorecimento de interesses privados no sistema financeiro nacional. Embora a defesa do senador ainda não tenha se manifestado oficialmente sobre as graves acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, a Polícia Federal sustenta que o volume de provas e indícios acumulados nesta fase da investigação coloca o parlamentar em uma posição jurídica extremamente delicada, enquanto o Ministério Público Federal analisa a extensão dos danos causados à integridade das instituições públicas.






