Caso ‘Dark Horse’: PGR segue a Polícia Federal e deve rejeitar segunda delação de Daniel Vorcaro

Procuradoria-Geral da República aponta inconsistências nos relatos do ex-banqueiro preso na Operação Compliance Zero; recusa asfixia estratégia da defesa de Flávio e Eduardo Bolsonaro
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BRASÍLIA — O cerco jurídico e político em torno dos financiadores do filme “Dark Horse” ganhou um novo e definitivo contorno na manhã desta segunda-feira (15). A Procuradoria-Geral da República (PGR) sinalizou que vai rejeitar a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. A informação, antecipada pelo jornal O Globo e confirmada pela CNN Brasil, sepulta a principal cartada da defesa do empresário para tentar deixar a prisão.

A decisão da PGR caminha em estrita sintonia com a Polícia Federal, que já havia anunciado formalmente a recusa do acordo na semana passada. De acordo com fontes ligadas aos investigadores, os novos relatos oferecidos por Vorcaro foram considerados inconsistentes e insuficientes para acrescentar elementos substanciais às investigações de fraudes financeiras e evasão de divisas.

O Impacto no Clã Bolsonaro e a Asfixia da Defesa

A dupla rejeição (da PF e, agora, da PGR) ao acordo de cooperação de Daniel Vorcaro impacta diretamente o destino do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Vorcaro é apontado como o arquiteto financeiro por trás do repasse de R$ 61 milhões enviados a um fundo nos Estados Unidos, dinheiro suspeito de ter sido usado para bancar despesas pessoais de Eduardo no exterior e mascarado como financiamento para o documentário “Dark Horse”.

O Isolamento de Daniel Vorcaro e os Reflexos no Caso
├── 🔒 Prisão (04/Mar) ───────> Vorcaro é preso na Operação Compliance Zero por fraudes financeiras.
├── ❌ 1ª Recusa (PF) ────────> Polícia Federal rejeita os anexos por falta de provas novas.
├── ❌ 2ª Recusa (PGR - Hoje) ─> Procuradoria aponta inconsistência e mantém o empresário sem benefícios penais.
└── ⚖️ Julgamento STF (Amanhã) ─> Eduardo Bolsonaro enfrenta a 1ª Turma sem o "amortecedor" da delação.

No submundo da articulação política em Brasília, o maior temor dos interlocutores da família Bolsonaro era o conteúdo que Vorcaro poderia entregar caso decidisse fazer uma “delação de sobrevivência”. Com a porta fechada pelos órgãos de controle, a estratégia de defesa do clã ganha sobrevida técnica, mas o isolamento do ex-banqueiro aumenta a pressão sobre a quebra de sigilo internacional do fundo texano que recebeu os milhões do filme.

Preso desde março na ‘Compliance Zero’

Daniel Vorcaro está custodiado em regime fechado desde o dia 4 de março de 2026, quando foi o alvo principal de uma das fases ostensivas da Operação Compliance Zero. A força-tarefa desarticulou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, debêntures sigilosas e fraudes em fundos de pensão que utilizavam a estrutura do antigo Banco Master e de sua subsidiária, a Entre Investimentos.

Com o entendimento de que o ex-banqueiro tentou omitir o real envolvimento de agentes políticos de alto escalão em seus primeiros depoimentos, a PGR e a PF optaram por seguir com as investigações de forma autônoma, dispensando os benefícios de redução de pena pleiteados pelo réu. O anúncio ocorre a menos de 24 horas de a Primeira Turma do STF julgar Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo.

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