Decisão de André Mendonça no STF atinge cúpula da Polícia Federal e reacende histórico de Leandro Almada no Amazonas

Afastamento cautelar de diretores desencadeou entrega coletiva de cargos e reação institucional na PF.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento cautelar do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, e do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. A medida fundamentou-se em questionamentos sobre a legalidade de relatórios internos da corporação referentes a investigações que citavam o próprio magistrado. A decisão motivou 11 dos 13 diretores da instituição a colocarem seus cargos à disposição, sob alegação de tentativas de interferência política no órgão.

O episódio recupera o histórico profissional do delegado Leandro Almada, que integrou a Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça durante a gestão de Mendonça na pasta, no governo Jair Bolsonaro. Em abril de 2021, Almada assumiu a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas em substituição a Alexandre Saraiva, exonerado após encaminhar ao STF uma notícia-crime contra o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por intervenção em apreensões de madeira ilegal na Operação Handroanthus.

Em sua passagem pelo comando da PF no Amazonas, encerrada em 2022, Almada esteve à frente de operações voltadas ao combate a crimes ambientais, narcotráfico e corrupção, incluindo a Operação Garimpo Urbano e a Operação Vikare, além de reforçar a estrutura logística fluvial para patrulhamento das calhas dos rios do estado. Anteriormente, atuou no sistema de segurança pública amazonense como corregedor-geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), período em que participou das apurações da Operação Alcateia.

A determinação de afastamento dos diretores foi submetida a julgamento na Segunda Turma do STF. O relator foi acompanhado pelos ministros Nunes Marques e Luiz Fux, formando maioria para manter a medida cautelar, mas o julgamento acabou suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Paralelamente, manifestações de ministros da Corte e peças interpostas pela Advocacia-Geral da União (AGU) buscam reverter o afastamento dos quadros diretivos da Polícia Federal.

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