Eduardo Bolsonaro acusa falsamente jornalista do The Intercept de ligação com PCC e invasão de privacidade

A abordagem foi registrada em vídeo pela equipe do veículo, que contradiz a narrativa de invasão ou constrangimento grave
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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) acusou um repórter do The Intercept Brasil de estar ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e de invadir a privacidade de sua família ao tocar a campainha de sua residência no Texas, nos Estados Unidos. A acusação, feita nas redes sociais, foi desmentida pelo próprio jornalista e pela polícia local, que não abriu investigação sobre o caso.

O que aconteceu

Em 22 de maio de 2026, o jornalista Steven Monacelli, do The Intercept Brasil, foi até o endereço de uma casa de alto padrão em Southlake, Texas, onde Eduardo Bolsonaro reside com a família. O repórter tocou a campainha, se identificou e perguntou educadamente se era a residência da família Bolsonaro. Heloísa Bolsonaro, esposa de Eduardo, atendeu, confirmou que moravam ali e recusou conceder entrevista. O jornalista se retirou sem incidentes.

Minutos depois, Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que pessoas “ligadas ao PCC” haviam invadido sua privacidade, constrangido sua esposa e até falado com sua filha de 5 anos. Ele disse ter acionado a polícia local. Em postagens posteriores, mencionou a presença de armas no Texas como fator de gravidade.

Desmentido do jornalista e da polícia

Steven Monacelli respondeu diretamente: “I’m not linked to the PCC, I didn’t invade your home, I did not speak to your daughter, and the Southlake Police Department told me that there is no open investigation regarding your police call after I rang your doorbell.” Ele incentivou Eduardo a retratar as declarações falsas.

A polícia de Southlake confirmou ao The Intercept que não há investigação aberta sobre o episódio. A abordagem foi registrada em vídeo pela equipe do veículo, que contradiz a narrativa de invasão ou constrangimento grave.

Contexto da reportagem

A visita do repórter fazia parte de uma série de investigações do The Intercept Brasil sobre o padrão de vida de Eduardo Bolsonaro nos EUA e supostos repasses financeiros ligados à família. O portal revelou que a família aluga uma mansão avaliada em cerca de US$ 1,2 milhão (aproximadamente R$ 6,7 milhões), com aluguel mensal em torno de US$ 5.950. A reportagem questiona como o ex-deputado, que deixou o Brasil em fevereiro de 2025 em meio a investigações no Supremo Tribunal Federal, sustenta esse estilo de vida.

Eduardo Bolsonaro nega morar na casa citada e afirma que as reportagens são “fake news”, sustentando que vive de renda privada. No entanto, publicações nas redes sociais da família coincidem com detalhes do imóvel.

Reações e implicações

A acusação de Eduardo gerou repercussão nas redes, com apoiadores defendendo a privacidade da família e críticos apontando mais um episódio de desinformação ou intimidação a jornalistas. O caso reacende o debate sobre liberdade de imprensa e o direito do público de questionar figuras públicas sobre seu patrimônio e fontes de renda, especialmente quando envolvem investigações em andamento no Brasil.

Até o momento, não há registro de retratação por parte de Eduardo Bolsonaro.

Nota editorial: Esta matéria baseia-se em declarações públicas, respostas oficiais da polícia e reportagens publicadas. O jornalismo investigativo, quando realizado de forma ética (como bater à porta com identificação clara e aceitando recusa), é protegido constitucionalmente em democracias, inclusive nos EUA. Acusações infundadas de ligação com organizações criminosas podem configurar difamação ou calúnia, dependendo da jurisdição

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