Farra de 1.156%: Pressão popular leva gastos obscuros do ‘Sou Manaus’ a julgamento decisivo no TCE-AM

O foco central da fiscalização é um dado que estarreceu os órgãos de controle: os custos do evento sofreram um crescimento astronômico de 1.156%
farra-de-1-156-pressao-popular

Após uma série de manobras e sucessivos adiamentos que irritaram a opinião pública, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) retoma, na manhã desta segunda-feira, o julgamento das graves denúncias de irregularidades nos gastos da Prefeitura de Manaus com o festival ‘Sou Manaus Passo a Paço 2025’. O processo, que havia sido retirado de pauta por um pedido de vistas do conselheiro Mário de Mello, volta agora sob os holofotes do pleno e com a sustentação oral confirmada do vereador Coronel Rosses, autor da representação que busca abrir a “caixa-preta” de um dos eventos mais polêmicos da atual gestão municipal.

O foco central da fiscalização é um dado que estarreceu os órgãos de controle: os custos do evento sofreram um crescimento astronômico de 1.156% em apenas três anos, um salto financeiro que o Ministério Público de Contas (MPC) classifica como carente de qualquer justificativa técnica consistente por parte do Executivo. Entre as falhas listadas que fundamentam a denúncia, destacam-se a omissão deliberada de dados sobre os valores pagos a grandes estrelas nacionais e internacionais, a ausência de transparência no acesso a contratos públicos e o risco iminente de dano ao erário devido ao desequilíbrio financeiro gerado pelo projeto.

Diante da robustez dos indícios de má gestão, o MPC já defende a conversão imediata do processo em uma Tomada de Contas Especial, medida de extrema urgência que visa identificar os responsáveis e garantir o ressarcimento do dinheiro público caso as suspeitas de dolo sejam comprovadas. Para a população de Manaus, que há meses exige respostas sobre o uso de recursos que deveriam ser geridos com responsabilidade, o julgamento de hoje representa um embate crucial entre a necessidade de clareza na administração pública e as práticas obscuras que marcaram a organização do festival, colocando a transparência da prefeitura definitivamente à prova diante dos conselheiros do Tribunal.

Tags:
Compartilhar Post: