Em menos de 72 horas, a corrida pelo dinheiro do eleitor na internet começou a todo vapor. O financiamento coletivo online para os pré-candidatos das eleições de 2026 ultrapassou a impressionante marca de R$ 500 mil em doações. O mecanismo foi liberado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última sexta-feira (15) e, até a noite de domingo (17), nomes como Renan Santos, Marcel van Hattem e Gustavo Gayer já lideravam com folga o ranking dos mais patrocinados pelo público.
Uma análise profunda nos dados consolidados entre a manhã de sexta-feira e as 21h de domingo revela que, das quatro instituições autorizadas pelo TSE a operar o sistema, a plataforma “Quero Apoiar” é a única que já abriu os dados publicamente em seu site. E os números mostram uma disputa feroz pelo topo.
O grande destaque do final de semana foi o pré-candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão). Até as 19h de domingo, o presidenciável — que aparece em 5º lugar com 2% das intenções de voto na pesquisa Datafolha mais recente — já acumulava R$ 165.550 extraídos do bolso de 2.406 apoiadores. Logo atrás, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), que mira uma vaga no Senado, garantiu R$ 133.141 vindos de 1.158 doadores.
O ranking dos campeões da arrecadação virtual
Abaixo, veja a lista detalhada dos pré-candidatos que mais engajaram financeiramente suas bases na plataforma analisada até o fechamento do primeiro balanço:
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Renan Santos (Missão), candidato à Presidência: R$ 166.629
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Marcel Van Hattem (Novo), candidato ao Senado: R$ 133.876
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Gustavo Gayer (PL), candidato ao Senado: R$ 55.974
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Jones Manoel (PSol), candidato à Câmara: R$ 54.512
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Rony Gabriel (Podemos), candidato à Câmara: R$ 41.483
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Daniel Soranz (PSD), candidato à Câmara: R$ 39.954
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Kim Kataguiri (Missão), candidato ao governo de SP: R$ 34.853
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Ana Hering (Missão), candidata à Câmara: R$ 16.610
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Victor Antoun (Missão), candidato à Câmara: R$ 14.203
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Delegado Felipe Curi (PP), candidato à Câmara: R$ 13.195
No campo partidário, a hegemonia inicial pertence ao Missão. O partido, criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e oficialmente registrado pelo TSE em novembro de 2025, fincou bandeira como a força política mais eficiente no ambiente digital, concentrando sozinho mais de R$ 200 mil do montante total arrecadado no período.
As regras do jogo: como funcionam as vaquinhas virtuais
Criado carinhosamente pela reforma eleitoral de 2017, o financiamento coletivo eletrônico virou a grande arma dos candidatos desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu em 2015 o investimento de empresas em campanhas políticas. Atualmente, apenas pessoas físicas podem abrir a carteira para apoiar seus candidatos, e todo o processo precisa passar pelo crivo rigoroso da Justiça Eleitoral.
Para evitar fraudes e lavagem de dinheiro, o TSE exige que as plataformas sigam regras severas, que incluem:
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Cadastro prévio e homologado no tribunal;
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Identificação obrigatória do doador através de nome e CPF;
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Emissão imediata de recibos eleitorais;
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Transparência total com divulgação pública e atualizada dos valores e das taxas administrativas cobradas.
Até o momento, quatro empresas estão formalmente habilitadas para o pleito deste ano: AppCívico Consultoria Ltda., Elegis Gestão Estratégica, GMT Tecnologia e QueroApoiar.com.br Ltda. — sendo esta última a única a registrar volumes expressivos e transparentes logo na largada. Vale lembrar que, embora o dinheiro já esteja entrando, os pré-candidatos só põem a mão na grana após cumprirem exigências burocráticas essenciais, como a abertura de uma conta bancária específica de campanha e a devida emissão dos recibos.
Esta será a quinta experiência do Brasil com o modelo, que já operou com sucesso nos pleitos de 2018, 2020, 2022 e 2024. O potencial da ferramenta é gigante: nas eleições municipais de 2024, as vaquinhas virtuais movimentaram mais de R$ 7 milhões, impulsionando campanhas de 160 candidatos a prefeito — incluindo 12 gestores que liquidaram a fatura e foram eleitos logo no primeiro turno.






