O lançamento da Pilili, a mascote oficial das urnas eletrônicas apresentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira, 4 de maio, rapidamente transbordou para o campo do deboche e da sátira digital. Embora a intenção da Corte fosse celebrar os 30 anos do sistema eletrônico de votação e estreitar laços com o público jovem, a estética e o nome da personagem tornaram-se combustível para uma avalanche de críticas e montagens irônicas que dominaram as plataformas sociais, com internautas estabelecendo comparações que subverteram o objetivo institucional da campanha.
Um dos focos principais das piadas foi a fonética do nome escolhido, que muitos usuários associaram imediatamente à forma como o personagem Cebolinha, da Turma da Mônica, pronunciaria a palavra “perigo” — uma ironia utilizada por opositores para questionar a seriedade da Justiça Eleitoral. Além disso, a fisionomia da Pilili e o seu nome renderam associações a mensagens vazadas do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, gerando um engajamento que misturou críticas políticas a um humor ácido, colocando a ministra Cármen Lúcia e o tribunal em uma posição defensiva diante da repercussão negativa.
Entre a estratégia pedagógica e o “tiro no pé” digital
Apesar de a Justiça Eleitoral ter se inspirado no carisma de ícones como o Zé Gotinha para humanizar o equipamento de votação, a recepção popular seguiu um roteiro de forte resistência, especialmente entre parlamentares da oposição e advogados que criticaram a postura do órgão.
• Críticas à Credibilidade: O advogado André Marsiglia e o deputado Filipe Barros (PL-PR) estiveram entre os que questionaram a iniciativa, afirmando que uma Justiça que investe em figuras jocosas perde a autoridade institucional necessária para o pleito de 2026.
• Viralização Negativa: Vídeos da mascote dançando ao lado de autoridades foram amplamente parodiados, com internautas questionando os custos públicos envolvidos na criação de um personagem voltado para crianças em um contexto onde o público-alvo são eleitores.
• Foco na “Inteligência Incorporada”: Enquanto o TSE defende a Pilili como a face oficial das eleições para combater a desinformação, o debate público foi sequestrado por memes que associam a boneca a erros de comunicação e à falta de diálogo com o eleitorado adulto.
Até o momento, a Corte não emitiu novos posicionamentos sobre as críticas, mantendo a Pilili como a protagonista das campanhas institucionais que devem percorrer o país até o dia da votação, em um teste de fogo para a eficácia do marketing político em tempos de polarização extrema.






