O Partido dos Trabalhadores (PT) está estruturando o lançamento de 37 influenciadores digitais como candidatos aos cargos de deputado estadual e federal nas eleições de 2026. A estratégia, capitaneada pelo segmento jovem da sigla, busca converter o engajamento de redes como TikTok e Instagram em votos, visando uma renovação da bancada no Congresso Nacional. A iniciativa ocorre apesar das declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em janeiro deste ano criticou a atuação de influenciadores, afirmando que muitos ganham seguidores apenas “falando bobagem”.
O levantamento realizado aponta que o grupo de pré-candidatos inclui perfis que variam entre 100 mil e 800 mil seguidores. Entre os nomes confirmados estão Thiago Reis, Pedro Rousseff e Leonel Radde, figuras que já possuem mandato ou forte presença em plataformas de vídeo. A articulação do projeto defende que a dinâmica das redes sociais é essencial para a sobrevivência política atual, minimizando a resistência de quadros históricos do partido que ainda priorizam a militância tradicional de rua.
Um ponto que gera questionamentos sobre a viabilidade dessas candidaturas é o financiamento da visibilidade desses nomes. Em 2025, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência destinou R$ 1,1 milhão para pagar cachês a 77 influenciadores para a divulgação de ações governamentais. Entre os beneficiados está o tiktoker Thiago Foltran, pré-candidato a deputado estadual no Paraná, que recebeu R$ 15 mil por publicações oficiais. Além dele, nomes como o carnavalesco Milton Cunha e o comediante Matheus Buente receberam valores entre R$ 124 mil e R$ 310 mil para produzir conteúdos únicos.
O partido tem intensificado o foco na comunicação digital através de projetos como o “Pode Espalhar” e o seminário “PTech”, este último realizado em parceria com gigantes de tecnologia como Google e Meta. Segundo a Secretaria de Comunicação do PT, o objetivo é fundir a militância física com a virtual para combater a desinformação. No entanto, para analistas, a aposta em nomes que se notabilizam apenas pelo alcance digital marca uma mudança de perfil na legenda, que historicamente priorizou lideranças formadas em movimentos sindicais e sociais.






