Um relatório da Polícia Federal (PF) aponta que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), alterou os rumos de uma investigação que envolvia o banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Em fevereiro, a PF havia solicitado autorização para aprofundar as apurações sobre um esquema de precatórios bilionários de interesse da instituição financeira.
O caso principal sob análise envolvia cerca de R$ 8,5 bilhões. As investigações identificaram honorários advocatícios estimados em até R$ 427 milhões para um escritório de advocacia ligado a familiares de um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Além disso, mensagens interceptadas citavam trechos referentes à “Turma do KN”, uma alusão ao ministro Kássio Nunes Marques.
Ao assumir a relatoria do caso no STF, porém, o ministro André Mendonça não deu prosseguimento às linhas de investigação solicitadas pelos policiais. Em agosto, Mendonça delimitou a análise a três mensagens específicas encontradas no telefone celular de Daniel Vorcaro e fixou o prazo de 72 horas para que a PF entregasse uma nova perícia focada exclusivamente nesse trecho.
A determinação direcionada fez com que a apuração mudasse de escopo, passando a focar no ministro Alexandre de Moraes. Ao ser questionado sobre o não aproveitamento do relatório inicial da PF, André Mendonça justificou que os autos referentes àquela frente de apuração não haviam sido encaminhados formalmente ao seu gabinete.






