POLÍTICA – A aprovação do chamado PL da Dosimetria na Câmara dos Deputados, na madrugada de quarta-feira (10), abriu um novo capítulo na discussão sobre as penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. O projeto, que ainda precisa passar pelo Senado, estabelece parâmetros mais brandos para o cálculo das punições, o que, na avaliação de juristas e analistas políticos, pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados investigados por participação ou incitação aos ataques às sedes dos Três Poderes.
Levantamentos mostram que a base do PL votou maciçamente a favor da proposta, seguindo orientação atribuída ao próprio Bolsonaro, que teria dado aval para que o partido apoiasse o texto desde que não houvesse anistia explícita aos condenados. Já parte de legendas de centro e da esquerda votou contra ou se dividiu, alegando que o projeto representa uma pressão sobre o Supremo Tribunal Federal e pode abrir margem para revisão de penas já fixadas. Críticos também afirmam que a medida envia sinal de condescendência com atos golpistas.
Mapeamentos divulgados pela imprensa e por organizações civis detalham como cada deputado se posicionou na votação, permitindo identificar quem apoiou ou rejeitou o texto. Em estados como Santa Catarina e outros redutos do bolsonarismo, bancadas inteiras alinharam votos ao PL, reforçando a leitura de que o projeto foi construído para aliviar a situação jurídica de apoiadores de Bolsonaro. Agora, o Senado e, possivelmente, o STF devem ser palco das próximas disputas em torno da dosimetria das penas e dos limites da resposta institucional aos atos de 8 de janeiro.





