A nova repercussão de falas de Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo partido Missão e dirigente do MBL, colocou a Zona Franca de Manaus (ZFM) de volta ao centro do debate político. Ao chamar a estrutura do polo de “operação retardada” e defender o fim dos incentivos fiscais, ele expôs o choque direto entre os defensores do livre mercado e os entusiastas do modelo amazonense.
A crítica do candidato mira o custo do transporte e o uso do dinheiro público. Santos questiona o trajeto das peças, que saem do Sudeste, vão até Manaus para a montagem e voltam para os grandes centros em forma de produto final. Segundo ele, os R$ 50 bilhões anuais em isenções impostas pelo governo geram distorção econômica e ficariam melhor aplicados em vouchers de educação e na construção de moradias populares.
Por outro lado, empresários, políticos e lideranças do Norte lembram que o valor da ZFM vai muito além da arrecadação de impostos. A defesa do polo destaca que a indústria garante mais de 100 mil empregos diretos em uma região isolada do país e ajuda a manter a floresta de pé, já que a economia focada na cidade tira a pressão sobre o desmatamento.
No fundo, a polêmica revela a dificuldade de discutir propostas para a Amazônia de forma técnica. Embora o debate sobre o uso de subsídios fiscais seja legítimo, a opção por palavras agressivas acaba alimentando a briga nas redes sociais e deixando de lado o desafio principal: equilibrar as contas do país sem prejudicar o desenvolvimento e a proteção do Norte.






