VÍDEO: deepfakes de IA geram quase 50 mil denúncias de abuso infantil no Brasil

Brasil registra quase 50 mil denúncias de abuso infantil digital com deepfakes e IA em 2025. SaferNet identifica ocorrências em dez estados, incluindo escolas de São Paulo.

SEGURANÇA – A utilização de inteligência artificial e deepfakes para gerar material envolvendo abuso sexual de crianças e adolescentes resultou em quase 50 mil denúncias no Brasil ao longo de 2025. O levantamento feito pela SaferNet, que defende os Direitos Humanos na internet, aponta que apenas entre 1º de janeiro e 31 de julho foram recebidas 76.997 denúncias de crimes digitais, com 49.336 (64%) delas relacionadas a abuso e exploração sexual infantil. Foram identificados registros desse tipo em dez estados, entre eles São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.

Em São Paulo, ocorreram quatro casos em escolas, evidenciando a presença do problema no ambiente escolar, principalmente entre estudantes adolescentes. O relatório mostra que vídeos e imagens hiper-realistas, muitas vezes criados ou manipulados por aplicativos de IA, fazem com que o conteúdo se espalhe rapidamente em redes sociais, aplicativos de mensagens e sites de pornografia sem dispositivos eficazes de moderação. O resultado é a exposição das vítimas a situações de assédio, bullying e danos recorrentes.

O aumento das notificações coincidiu com a divulgação do vídeo “Adultização”, publicado em 6 de agosto pelo influenciador Felca. O conteúdo obteve 46 milhões de visualizações e impulsionou 6.278 novas denúncias, sendo metade delas feitas após a publicação.

O estudo ainda destaca que grupos organizados comercializam deepfakes, como foi identificado em 2024, quando um grupo chegou a contar com 46 mil membros vendendo vídeos e fotos por valores que variavam entre R$ 19,90 e R$ 25. Houve também 95 denúncias relacionadas diretamente ao termo “inteligência artificial”, incluindo 12 contra um site específico que hospedou material de abuso entre 2024 e 2025.

A SaferNet sugere como medidas preventivas a orientação digital de alunos, campanhas educativas e políticas de restrição em escolas para coibir o compartilhamento de conteúdos manipulados. A diretora da entidade, Juliana Cunha, afirmou que o fenômeno é recente e se desenvolve rapidamente, indicando a necessidade de atuação de empresas de tecnologia, fiscalização do poder público e envolvimento da sociedade civil para denunciar e conscientizar.

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