SAÚDE – O consumo exagerado de refrigerante zero pode trazer problemas de saúde, segundo reportagem do Terra publicada nesta terça-feira (21), que reuniu evidências sobre adoçantes e outros aditivos usados nas versões sem açúcar. A matéria explica que as principais fórmulas trocam sacarose por sucralose, aspartame, acessulfame-K e ciclamato, além de acidulantes, corantes, conservantes e cafeína. A pauta mira quem busca cortar calorias e quer saber se o “zero” elimina riscos.
A Organização Mundial da Saúde publicou diretriz em 2023 e não recomenda o uso de adoçantes como estratégia para controle de peso no longo prazo, porque os benefícios sustentados não aparecem e podem surgir efeitos indesejados. A orientação vale para adultos e crianças, exceto em casos clínicos específicos e produtos para diabetes formulados sob acompanhamento. O documento pede foco em reduzir açúcar livre por meio de dieta geral, não em trocar por edulcorantes.
No debate sobre segurança, a agência de câncer da OMS classificou o aspartame como “possivelmente carcinogênico” (Grupo 2B), com base em evidência limitada, enquanto o comitê conjunto FAO/OMS manteve a ingestão diária aceitável em até 40 mg/kg de peso. Para dar escala, análises acadêmicas mencionam que isso pode equivaler a várias latas de refrigerante por dia para um adulto, mas não é um incentivo a chegar nesse teto. O FDA reforça que a classificação da IARC não prova risco direto em consumo dentro do limite, e que o princípio é moderação informada.
Pesquisas observacionais associam consumo alto de adoçantes artificiais a maior risco de eventos cardiovasculares e a alterações metabólicas, sem demonstrar ganho consistente de peso saudável ao longo do tempo. Estudos recentes também descrevem mudanças no microbioma intestinal com sucralose e sacarina, hipótese que ajuda a explicar desconfortos gastrointestinais e piora do controle glicêmico em parte do público. Esses achados pedem cautela, porque observação não prova causa, mas sinaliza um limite prático para o uso cotidiano.
Na vida real, a escolha mais segura continua sendo água como bebida principal, deixando o refrigerante zero para ocasiões pontuais e em porções pequenas. Quem usa versões zero para reduzir açúcar deve observar sintomas digestivos, revisar rótulos e discutir alternativas com nutricionista ou médico, sobretudo em casos de diabetes, hipertensão e doença renal. Se o consumo diário virou hábito, vale planejar uma troca por água com gás, chás sem açúcar e sucos naturais diluídos, reduzindo gradualmente a dependência do paladar muito doce.





