RIO DE JANEIRO – Uma nova denúncia feita pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) aponta que a facção Comando Vermelho instalou um verdadeiro “tribunal paralelo” em uma comunidade da zona norte do Rio de Janeiro, no qual moradores são torturados ou executados sob acusação de quebra de regras internas.
O processo que sustenta a denúncia detalha que a facção criava comissões de “julgamento” para punir supostas deserções, envolvimento com policiais ou violência contra a organização. Segundo documentos do MP-RJ, as filmagens anexadas mostram moradores amarrados, humilhados e usados como exemplo para outros moradores da comunidade.
A denúncia também menciona que o controle da área pela facção se dava por meio de “guardiões” armados que fiscalizavam saídas, entradas e movimentações de vizinhos, além de registrar até mesmo “taxas de proteção”. A sensação de impunidade fortalecia a rede de controle social interna, substituindo o Estado em parte da função de poder legal.
A partir dessas evidências, o juiz da 42ª Vara Criminal do Rio autorizou prisão preventiva de dezenas de suspeitos da facção e embasou a operação que prendeu mais de 100 pessoas nesta semana. Mesmo assim, as autoridades reconhecem que o trabalho de investigação ainda é complexo e exige cooperação entre MP, polícias Civil e Militar e unidades de inteligência envolvidas.
O caso reacende o debate sobre a presença de justiça paralela nas favelas, o papel do Estado no controle desses territórios e os riscos que moradores enfrentam quando sistemas de poder ilegítimos se sobrepõem à lei.





