Verba do SUS bancou casa de R$ 1,7 mi a suposta amante de secretário

De acordo com as apurações, o grupo utilizava contratos emergenciais firmados pela Sesau com uma fornecedora de material hospitalar e uma construtora.

BRASIL – A Polícia Federal investiga um esquema de desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) em Alagoas e aponta que parte do dinheiro público teria sido usada para comprar uma casa de luxo em Brasília e um flat à beira-mar em Maceió para uma mulher apontada como amante do então secretário de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda. A apuração integra a Operação Estágio IV, que mira contratos emergenciais, ressarcimentos superfaturados e ocultação de patrimônio ligados à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) entre 2023 e 2025, com suspeita de desvio que se aproxima de R$ 100 milhões.

Segundo a investigação, imóveis e bens foram registrados em nome de terceiros e pessoas próximas aos investigados, estratégia que inclui Andreia Araújo Cavalcante, dona de uma pequena loja de roupas e apontada como pessoa do círculo íntimo de Gustavo. Relatórios da PF indicam que, entre janeiro de 2023 e agosto de 2024, ela movimentou cerca de R$ 4,99 milhões, valor incompatível com a renda declarada e com o capital social de sua empresa, estimado em R$ 5 mil. Entre os bens identificados estão uma casa no Setor de Mansões Park Way, em Brasília, avaliada em aproximadamente R$ 1,69 milhão, e um flat em Cruz das Almas, em Maceió, comprado por cerca de R$ 797 mil.

Embora os imóveis estejam formalmente no nome de Andreia, a PF afirma ter obtido documentos que indicam que o secretário assumiu o pagamento das parcelas, inclusive com o uso de cheque de R$ 200 mil. A investigação aponta ainda que ela recebeu depósitos de empresas com contratos com a Sesau, como construtoras e fornecedores de materiais médicos, além de repasses ligados à clínica NOT, considerada peça central no esquema e associada a Gustavo, que teria continuado a receber valores mesmo após saída formal da sociedade.

De acordo com as apurações, o grupo utilizava contratos emergenciais firmados pela Sesau com uma fornecedora de material hospitalar e uma construtora para gerar pagamentos indevidos e, depois, lavar o dinheiro por meio de transferências, saques em espécie, viagens internacionais e aquisição de bens de alto valor. Em nota, o secretário afastado negou irregularidades, disse nunca ter praticado ilícitos e classificou a operação como um abuso, enquanto o governo de Alagoas informou que criou uma comissão para acompanhar o caso e declarou colaborar com as investigações da PF e da Controladoria-Geral da União.

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