BRASIL – Jair Bolsonaro passou por cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral em um momento considerado decisivo tanto do ponto de vista médico quanto político, já que o procedimento ocorre enquanto o ex-presidente cumpre pena em regime fechado e continua no centro do debate nacional. A operação teve autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que liberou a saída temporária da prisão, mas manteve as condições rigorosas de custódia e negou o pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa.
O ex-presidente recebeu diagnóstico de hérnia inguinal bilateral após perícia médica realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília, que confirmou a necessidade de reparo cirúrgico em caráter eletivo, com recomendação de que o procedimento ocorra o mais breve possível para reduzir riscos de complicações.
No laudo, peritos apontaram piora progressiva do quadro, associada a episódios de soluços e tosse crônica, e descreveram projeções de estruturas internas na região da virilha, com uma alça intestinal se projetando no lado direito e tecido gorduroso no lado esquerdo, quadro compatível com a descrição divulgada pela equipe médica ao tratar da hérnia bilateral.
A cirurgia foi marcada para o período de Natal, após Bolsonaro deixar pela primeira vez a unidade da Polícia Federal em Brasília para internação em hospital particular, conforme autorização judicial que determinou deslocamento sob escolta, controle de visitas e permanência em ambiente hospitalar com esquema reforçado de segurança.
A equipe médica prevê permanência de aproximadamente uma semana em regime de internação após o procedimento, com retorno posterior à carceragem da PF para continuidade do cumprimento da pena de 27 anos e três meses imposta por crimes contra o Estado Democrático de Direito, o que mantém o contexto jurídico como elemento central ao redor da intervenção cirúrgica.
A operação também gerou movimentação no campo político, porque reforçou a visibilidade de Bolsonaro em um momento em que a direita discute reorganização e candidaturas para as eleições de 2026.
Aliados e familiares manifestaram apoio público e destacaram o estado de saúde do ex-presidente, enquanto analistas apontam que o episódio recoloca a figura de Bolsonaro no debate sobre estratégias eleitorais e sobre a capacidade de liderança que ele ainda exerce entre setores conservadores, mesmo preso e submetido a agenda médica.





