Vigilante que matou vizinha no bairro Betânia alega legítima defesa antes de audiência de custódia em Manaus

O crime ocorreu no final da tarde de quarta-feira (28), na rua da Paz, bairro Betânia, zona Sul da capital, em meio a uma rixa pessoal que, segundo relatos, já durava há bastante tempo.

MANAUS – Um vigilante identificado como Emerson Vasconcelos de Araújo afirmou ter agido em legítima defesa ao falar com a imprensa na saída da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), na tarde desta quinta-feira (29), momentos antes de ser levado para audiência de custódia no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, em Manaus, após matar com um tiro no rosto a vizinha e garota de programa Alana Arruda Pereira, 25. O crime ocorreu no final da tarde de quarta-feira (28), na rua da Paz, bairro Betânia, zona Sul da capital, em meio a uma rixa pessoal que, segundo relatos, já durava há bastante tempo.

Na saída da DEHS, Emerson voltou a dizer que atirou para não morrer. Ele declarou que Alana o ameaçava de morte. “Ela disse que só ia sossegar quando me matasse”, afirmou o vigilante ao ser questionado por repórteres. Em seguida, reforçou que “não ia esperar que ela o matasse” e que é “pai de família” e “trabalhador”.

O homicídio aconteceu no fim da tarde de quarta-feira (28), na rua da Paz, bairro Betânia. Emerson, que é vizinho da vítima, efetuou um disparo de arma de fogo que atingiu o rosto de Alana. A jovem morreu no local, em frente à residência onde morava com familiares. O vigilante foi preso em flagrante logo depois, se apresentou aos policiais e entregou a arma utilizada no crime, um revólver calibre 38.

Emerson foi conduzido à DEHS, onde prestou depoimento e foi autuado nas formas da lei. Na tarde desta quinta-feira, deixou a delegacia escoltado por policiais para audiência de custódia no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis. Ao ser questionado se estava arrependido, balançou a cabeça positivamente, mas manteve a versão de que atirou para se defender.

A rixa entre vigilante e vítima já vinha de longa data, conforme relatos de moradores. Vizinhos relataram discussões frequentes entre os dois e episódios de agressões verbais nas ruas do bairro Betânia. Há registros em vídeo de brigas e confrontos anteriores entre eles.

Horas antes do desfecho fatal, Alana teria ido até a porta da casa de Emerson acompanhada de dois homens armados para ameaçá-lo de morte, segundo informações citadas em denúncias e apurações jornalísticas. No dia seguinte, a jovem acabou morta pelo vizinho, que agora alega que a sequência de ameaças justificaria o disparo.

O histórico de conflitos inclui discussões registradas em vídeo no dia 18 de janeiro, em frente à casa do vigilante. Nas imagens, Alana aparece discutindo com Emerson, chutando o portão da residência e proferindo xingamentos, enquanto ele reage e arremessa um capacete contra o portão. Em outro momento, a esposa do vigilante passa mal e desmaia dentro da casa durante o tumulto.

Além da rixa com o vizinho, há relatos de que Alana tinha envolvimento com facção criminosa. Segundo o que foi divulgado, o pai da filha dela, um homem conhecido como “Jonathan”, apontado como traficante no bairro Betânia, foi assassinado a tiros por rivais no dia 31 de dezembro de 2025. Esses antecedentes foram mencionados em denúncias e comentários de moradores, mas não há, até o momento, confirmação de que essa situação tenha relação direta com o feminicídio.

A audiência de custódia de Emerson ocorre na tarde desta quinta-feira (29). Na sessão, a Justiça deve analisar a legalidade da prisão em flagrante e decidir se ela será convertida em prisão preventiva ou se o vigilante responderá ao processo em liberdade, com ou sem medidas cautelares. O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros.

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