Servidora da prefeitura está entre presos de ‘núcleo político’ de facção

Os investigados são suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

O chamado “núcleo político” da facção criminosa Comando Vermelho no Amazonas incluía uma servidora da Prefeitura de Manaus, um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e um policial militar. A informação foi divulgada pelo delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), responsável pela investigação que resultou na Operação Erga Omnis (Contra Todos), deflagrada na manhã desta sexta-feira (20).

Ao todo, oito pessoas foram presas. Os investigados são suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Segundo a Polícia Civil, o grupo movimentou aproximadamente R$ 78 milhões em um período de quatro anos.

Durante entrevista coletiva, o delegado confirmou a prisão de Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Ela também atuou como chefe de gabinete do prefeito David Almeida (Avante) até 2023.

Também foram presos Izaldir Moreno Barros, servidor do TJAM; Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete da Assembleia Legislativa do Amazonas; Alcir Queiroga Teixeira Júnior, apontado como responsável por movimentações financeiras suspeitas; Josafá de Figueiredo Silva, ex-assessor parlamentar; Osimar Vieira Nascimento, policial militar; Bruno Renato Gatinho Araújo, investigado por participação no esquema; e Ronilson Xisto Jordão, detido no município de Itacoatiara.

De acordo com o delegado, o grupo atuava na logística do tráfico internacional de drogas, adquiridas na Colômbia. As substâncias eram compradas em Tabatinga e os recursos financeiros circulavam por meio de empresas de fachada sediadas no Amazonas e no Pará.

“Essas drogas eram adquiridas em Tabatinga e os valores eram transacionados por empresas fantasmas do Amazonas e do Pará para que fossem vendidas em outros estados do Brasil”, afirmou Marcelo Martins.

Segundo ele, as empresas simulavam atividades legítimas no ramo de logística, mas, na prática, realizavam transações vinculadas ao tráfico. “Identificamos movimentações financeiras incompatíveis com empresas de logística. Elas negociavam apenas com traficantes e agentes públicos”, declarou.

O delegado acrescentou que servidores públicos colaboravam com o grupo, oferecendo suporte e repassando informações sigilosas. “Identificamos transações financeiras de altos valores envolvendo servidores que atuavam em colaboração com o crime organizado”, disse.

A operação cumpriu 13 mandados de prisão no Amazonas e 24 mandados de busca e apreensão nos estados do Pará, Piauí, Ceará, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo. Foram apreendidos veículos e determinadas medidas de bloqueio de contas bancárias.

O líder da organização, Allan Kleber, é considerado foragido. Conforme o delegado, ele utilizava uma igreja como forma de disfarce social. “Ele se apresentava como evangélico, frequentava igreja e chegou a esconder drogas dentro de um templo”, afirmou.

O nome da operação, segundo Marcelo Martins, faz referência ao alcance das investigações. “Erga Omnis porque atingiu todas as pessoas de todas as esferas, independentemente de qualquer situação”, explicou.

As investigações continuam para apurar a participação de outros envolvidos e possíveis crimes conexos.

Defesa

A defesa de Anabela Cardoso Freitas, representada pelo advogado Raphael Grosso Filho, informou que a servidora não possui qualquer vínculo com organizações criminosas ou com os demais investigados.

Em nota, o advogado afirmou que Anabela é advogada e policial civil concursada há quase 20 anos, “com reconhecida idoneidade”, e que nunca foi investigada ou processada anteriormente. Segundo a defesa, os esclarecimentos prestados por ela referem-se à compra de passagens aéreas para fins pessoais em uma agência de viagens que apenas agora soube ser alvo da operação.

A defesa também repudiou “qualquer tentativa de polemização midiática ou política” do caso e sustentou que não há qualquer benefício ou vínculo da servidora com o objeto das investigações.

Leia mais:

https://noticiamais360.com.br/prefeitura-de-manaus-nega-envolvimento-em-operacao-da-policia-civil/
Tags:
Compartilhar Post: