Trabalhadores com jornada de 44 horas recebem até 58% menos, diz Ipea

A diferença pode chegar a 57,7%, e a média salarial de quem trabalha 44 horas é de R$ 2.626,05, enquanto a de quem trabalha até 40 horas é de R$ 6.211.

 

Profissionais com jornada de até 44 horas semanais recebem salários bem menores do que aqueles que trabalham 40 horas por semana, segundo estudo do Ipea divulgado nesta semana. A diferença pode chegar a 57,7%, e a média salarial de quem trabalha 44 horas é de R$ 2.626,05, enquanto a de quem trabalha até 40 horas é de R$ 6.211.

A pesquisa usa dados da Rais de 2023 e mostra que trabalhadores com jornadas mais longas recebem, em média, 42,3% do salário dos que cumprem carga horária reduzida. Quando o cálculo considera o valor por hora, a renda média cai para R$ 2.391,24, o que corresponde a 38,5% do valor recebido por quem trabalha menos horas.

Segundo o estudo, a escolaridade ajuda a explicar a diferença. Mais de 83% dos trabalhadores com jornada de 44 horas têm, no máximo, ensino médio completo, enquanto esse percentual cai para 53% entre os que têm ensino superior. Jornadas mais extensas aparecem com mais frequência em ocupações de menor qualificação, como indústria, agropecuária e comércio.

O levantamento também informa que, entre os 44 milhões de trabalhadores formais analisados, 31,8 milhões têm jornada de 44 horas semanais. Isso representa 74% do total. Em pequenas empresas, a proporção é ainda maior. Chega a 87,7% nas que têm até quatro funcionários e a 88,6% nas que têm entre cinco e nove empregados.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso Nacional. Duas propostas de emenda à Constituição e um projeto de lei enviado pelo governo Lula tratam do tema, e as PECs já passaram pela Comissão de Constituição e Justiça.

O estudo também estima os efeitos da redução da jornada. A passagem de 44 para 40 horas semanais, com adoção da escala 5×2, elevaria o custo da mão de obra em 7,84%. Já uma jornada de 36 horas, na escala 4×3, aumentaria o custo em 17,57%. Mesmo assim, o Ipea avalia que o impacto pode ser absorvido pela economia ao longo do tempo.

Felipe Pateo, técnico de planejamento e pesquisa do instituto e um dos autores do estudo, afirmou que a redução da jornada diminuiria desigualdades no mercado de trabalho formal. Ele também disse que o possível impacto sobre o PIB precisa ser comparado com a melhora da qualidade de vida, o tempo para cuidados e os efeitos sobre a saúde da população.

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