Um novo e detalhado relatório internacional, intitulado “Amazônia sob ataque”, revela que as organizações criminosas na Pan-Amazônia deixaram de operar de forma isolada para consolidar sistemas complexos de controle territorial e econômico sobre as populações tradicionais. O estudo, apresentado durante o Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, em Nova York, aponta que atividades ilícitas como o narcotráfico, a extração clandestina de madeira e a mineração ilegal já afetam 67% dos municípios da região, colocando aproximadamente 32% das terras indígenas sob a disputa direta de grupos armados e facções criminosas de alta periculosidade.
A escalada da violência no Brasil e na Colômbia é evidenciada pelo assassinato de ao menos 296 defensores ambientais e de direitos indígenas desde o ano de 2012, consolidando esses países como os locais mais perigosos para quem atua na proteção da floresta. Elaborado pela organização Amazon Watch, o documento critica a estratégia de militarização adotada pelos governos, argumentando que a presença de forças de segurança muitas vezes agrava os conflitos locais e resulta na violação da autonomia dos povos originários, sem que haja uma proteção efetiva contra a infiltração de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
No território brasileiro, o relatório destaca a situação crítica do povo Munduruku, onde a mineração ilegal de ouro se tornou um dos principais eixos de atuação das facções criminosas. Além da destruição ambiental, os impactos sociais são descritos como devastadores, registrando o aumento de casos de violência sexual contra mulheres indígenas e o recrutamento forçado de crianças e adolescentes para atividades ilícitas. As conclusões reforçam que a ausência de políticas públicas eficazes e o fracasso das estratégias estatais contribuem para um cenário de instabilidade permanente, exigindo o fortalecimento imediato da autonomia indígena para conter o avanço do crime organizado.






